As profundas divisões no Labour sobre o antissemitismo vieram ao de cima novamente na quarta-feira, depois de a secretária-geral do Partido Trabalhista, Jennie Formby, ter cedido à pressão interna da fação e ter suspendido as funções do deputado Chris Wiliamson.

Em causa está um vídeo onde Chris Williamson afirma que o seu partido tem sido demasiado leviano para com o tema do antissemitismo, que tem sido alvo de polémica e que já levou, inclusive, deputados a abandonar o Labour.

Williamson recebeu aplausos à medida que prosseguia com o seu discurso, mas nem todos acataram as declarações da melhor forma, inclusive o deputado Tom Watson.

Acho que a resposta do nosso partido é em parte responsável. Na minha opinião, temos recuado muito, temos dado muito terreno, temos desculpado muito”, disse Williamson, citado pelo The Guardian

Aliado próximo de Jeremy Corbyn, líder do Labour, o deputado, contudo, acabou por pedir desculpas na quarta-feira de manhã. “Estou profundamente arrependido e peço desculpas pela minha recente escolha de palavras enquanto falava sobre como o Labour reagiu à luta contra o antissemitismo dentro do nosso partido”. Em vez daquilo que fez transparecer nas suas palavras, Williamson disse que queria frisar o quanto o partido já fez para combater o antissemitismo.

Mas não foi isso que impediu que Williamson não tivesse recebido um “aviso de investigação” sobre o seu “padrão de comportamento”, segundo informou o porta-voz do Labour. Porém, enquanto a investigação estivesse em curso, ele permaneceria como membro do partido, o que levantou suspeitas de uma possível intervenção de Corbyn na decisão de não suspender de imediato as funções do deputado, pela proximidade entre os dois.

Contra as declarações de Corbyn, que em janeiro afirmou a um jornal local ver Williamson como “um deputado trabalhista muito bom e eficaz” e “um ativista antirracista muito forte”, gerou-se uma onda de indignação, tendo sido Tom Watson um dos que levantou a voz perante a revolta.

Nas palavras de Watson, o discurso foi “completamente inaceitável” e “deixa o partido cair em descrédito“, bem como o faz “romper com o seu código de conduta“.

Jennie Formby e Corbyn estiveram sob pressão durante o dia de quarta-feira para decretar a suspensão imediata de Williamson, perante as várias reclamações que surgiram dentro do partido. Isto ao ponto de o comité parlamentar avançar com o seu próprio protesto. Na carta, os trabalhistas pediram que Williamson não voltasse a comparecer às reuniões semanais dos parlamentares do Labour e que fosse suspenso de imediato.

No rescaldo, o deputado Chris Williamson acabou por ver a sua presença no Labour suspensa e disse, na noite de quarta-feira, que pretende agora limpar o seu nome, garantindo que não há provas que possam ser usadas contra ele.