O pergaminho do século XIV apreendido após ter sido posto à venda no OLX vai ser entregue esta quinta-feira ao Arquivo Nacional, informou a Polícia Judiciária (PJ) em comunicado de imprensa.

O documento continha a escritura da entrega do Castelo de Lisboa ao Conde de Barcelos e tinha sido posto à venda por 750 euros. Entretanto, a polícia, “após proficiente trabalho de recolha de informação e investigação, logrou localizar e apreender um pergaminho”. Agora vai ser entregue ao Arquivo Nacional Torre do Tombo, que já tinha demonstrado interesse na aquisição do documento.

Quem encontrou o pergaminho à venda na Internet foi José Luís Fernandes, autor do blogue “Repensando a Idade Média”, que a 29 de outubro do ano passado avisou no Facebook que “uma escritura, de inícios de 1383, de entrega do castelo de São Jorge foi colocada à venda por um gaiense no OLX, por 750 euros”. O gaiense chamava-se Luís Sampaio e no anúncio explicava que podia entregar o documento “em mão, na zona de Gaia” ou por correio. Nunca chegou a fazer negócio: José Luís Fernandes alertou a Câmara Municipal de Lisboa. E a Câmara alertou a polícia.

Entretanto, já o Arquivo Nacional tentava comprar o pergaminho: “Vamos exercer o direito de opção na aquisição do pergaminho, e já comunicámos isso ao vendedor”, disse o diretor ao Público.  A intenção de compra nunca foi comunicada à Câmara, responsável pela gestão do Castelo de São Jorge: “Considerámos que era mais ágil avançarmos nós próprios, para evitar a burocracia que certamente iria fazer arrastar o processo”, explicou o diretor-geral.

Ainda assim, a PJ decidiu investigar: “Dada a importância e valor inestimável do documento, e lograda que foi a tentativa de compra por parte do Arquivo Nacional, esta instituição comunicou o seu eventual descaminho da legítima tutela do Estado, dando origem a investigação por parte da Polícia Judiciária”. As autoridades apreenderam o pergaminho em novembro. E esta quinta-feira será entregue ao Arquivo Nacional numa cerimónia que inclui explicações sobre a importância do documento e sobre os exames científicos feito ao objeto.

O pergaminho tem transcrita “uma ordem do Rei, dirigida a Martim Afonso Valente, Alcaide do Castelo de Lisboa, dando-lhe o poder de entregar o referido Castelo em seu nome e da Infanta D. Beatriz, tratando-se de um de três exemplares lavrados à época”, acrescenta o comunicado. Normalmente, documentos desta natureza não são vendidos online, mas sim em alfarrabistas e em leilões de bibliotecas antigas.