As Forças Democráticas da Síria, aliança liderada por milícias curdas apoiadas por uma coligação internacional, anunciaram esta sexta-feira que lançaram o ataque final contra o último reduto do Estado Islâmico, na cidade de Al Baguz.

Após a retirada de milhares de civis e dos nossos companheiros detidos em Al Baguz, a operação de limpeza do último reduto do Estado Islâmico começou às 18h00 de hoje [sexta-feira, 1 de março] (16h00 em Lisboa)”, escreveu o porta-voz das Forças Democráticas da Síria (FDS), Mustafa Bali, no Twitter.

As FDS — uma aliança militar liderada por milícias curdas e apoiadas por uma coligação internacional liderada pelos EUA — já terão realocado todas as mulheres e crianças que se encontravam em três campos nas províncias vizinhas da zona do ataque agora iniciado contra o movimento jihadista.

Segundo o porta-voz da aliança SDF, Mustafa Bali, liderada por curdos, em declarações à agência Reuters, “não há mais nada em Baghuz, exceto os terroristas”, referindo-se aos militares do Estado Islâmico no território.  Mustafa Bali sublinhou ainda que espera uma “batalha feroz e pesada”.

Baghuz é o último reduto do EI na Síria. Ainda assim, os especialistas entrevistados pela BBC alertam que o grupo continuará a ser uma ameaça para a segurança, enquanto a sua capacidade de atrair seguidores persistir. A cadeia BBC, adianta ainda que nos últimos dias, cerca de 20 mil civis foram levados pelas SDF para um acampamento improvisado para pessoas deslocadas em al-Hol, na província de Hassake. Entre eles estão mulheres e filhos dos combatentes do Estado Islâmico e muitos estrangeiros.

O responsável pelas SDF, não quis adiantar a duração da ofensa, mas esta quinta-feira a SDF afirmou que esperava uma vitória dentro de uma semana.

Desde o início de dezembro, mais de 50 mil pessoas deixaram a zona adjacente ao reduto do Estado Islâmico, segundo o Observatório Sírio para Direitos Humanos.

Na quinta-feira, as FDS já tinham anunciado a libertação de 24 dos seus combatentes, que tinham sido detidos pelos ‘jihadistas’.

“As pessoas que hoje acolhemos disseram-nos que já não há civis no reduto ‘jihadista'”, disse Mustafa Bali à agência France-Presse. “Se, no decurso do nosso ataque, descobrirmos que ainda há civis, vamos isolá-los dos combates, mas avançaremos”, acrescentou o porta-voz das FDS.

Os jihadistas estão agora entrincheirados na periferia oriental da aldeia de Al Baguz, localizada na margem oriental do rio Eufrates, não muito longe da fronteira entre a Síria e o Iraque.

Depois de, em 2014, ter conquistado todo o território da Síria e do Iraque, e de se ter autoproclamado um “califado”, o Estado Islâmico impôs-se na região, até ter começado a ser dizimado, nos últimos dois anos, pela coligação internacional e pelas milícias curdas.

A guerra na Síria iniciou-se em 2015, tendo já feito mais de 360 mil mortos e levando vários milhões de pessoas a sair da Síria.

Em dezembro, o Presidente dos EUA anunciou que iria retirar os cerca de dois mil soldados americanos da Síria, a combater na aliança das FDS, alegando que o combate contra os ‘jihadistas’ estava praticamente terminado e o Estado Islâmico dizimado.