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Arte Contemporânea

Golegã recebe polo do Museu Nacional de Arte Contemporânea

O Palácio do Pelourinho vai receber um polo do Museu Nacional de Arte Contemporânea e é para onde vai ser transferido o espólio do pintor Veloso Salgado, atualmente nas reservas do Museu do Chiado.

O Museu Nacional de Arte Contemporânea vai ter um espaço expositivo no Palácio do Pelourinho, na Golegã, distrito de Santarém

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Museu Nacional de Arte Contemporânea vai ter um espaço expositivo no Palácio do Pelourinho, na Golegã (Santarém), para onde vai ser transferido o espólio do pintor Veloso Salgado, atualmente nas reservas do Museu do Chiado.

O protocolo de colaboração para depósito dos bens, a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso, foi assinado no passado dia 15 de fevereiro entre a diretora-geral do Património Cultural, Paula Araújo da Silva, e o presidente da Câmara Municipal da Golegã, José Veiga Maltês.

O espólio, doado à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) pela neta do artista e atribuído ao Museu Nacional de Arte Contemporânea — Museu do Chiado (MNAC), inclui mobiliário, objetos de arte e várias esculturas, tendo a escolha recaído no Palácio do Pelourinho, propriedade da Câmara da Golegã, por este permitir “reconstituir ambientes oitocentistas da casa de Ferreira Chaves e Veloso Salgado, cujas famílias viviam em conjunto, num projeto inédito de recriação de ambientes do quotidiano destes artistas”.

Este polo do MNAC funcionará em articulação com a Casa-Estúdio Carlos Relvas, situada próxima do Palácio do Pelourinho e onde está atualmente em tratamento, no Arquivo de Documentação Fotográfica, o “núcleo excecional de fotografia” do espólio de Veloso Salgado, que pode vir a ser exposto na Casa-Estúdio, refere o protocolo.

O acervo fotográfico “denuncia a existência de relações de cordialidade entre a família Veloso Salgado e a família Carlos Relvas, desenvolvidas através de uma ligação de amizade e profissionalismo entre o pintor Ferreira Chaves, sogro do pintor Veloso Salgado, e o fotógrafo Carlos Relvas”, acrescenta.

Veiga Maltês disse à Lusa que a criação, no Palácio do Pelourinho, de “um espaço que irá evidenciar a vivência desta família no século XIX”, teve na base a ligação de Ferreira Chaves com Carlos Relvas, sendo sua expectativa de que possa ser inaugurado ainda antes da próxima edição da ExpoÉgua, que se realiza em maio.

Para o autarca, esta escolha representa “uma mais valia” para a Golegã, vila que acolhe vários espaços relevantes para a cultura nacional, como o Museu Municipal Martins Correia (com o espólio do escultor e pintor modernista), a Casa-Estúdio Carlos Relvas (construída pelo fotógrafo, que foi também político, inventor e músico), ou ainda o núcleo da Fundação José Saramago, na aldeia da Azinhaga.

Realçou ainda a existência do Núcleo Museológico do Centro Português de Geo-História e Pré-História, na antiga escola primária de São Caetano, onde podem ser vistos, nomeadamente, fósseis de invertebrados marinhos com cerca de 450 milhões de anos, bem como do Museu Municipal da Máquina de Escrever, instalado na Biblioteca Municipal.

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, disse, no passado dia 13 de fevereiro, no parlamento, que iria ser criado um polo do Museu Nacional de Arte Contemporânea numa cidade do interior do país, tendo, no dia seguinte, o gabinete da ministra da Cultura, Graça Fonseca, declarado à Lusa que a exposição de obras de arte provenientes das reservas dos museus nacionais, em museus regionais e locais, faz parte do Plano de Valorização do Interior criado pelo Governo.

Esse plano “envolve todas as áreas de Governo, incluindo naturalmente a Cultura, sob a coordenação do ministro Adjunto e da Economia e do secretário de Estado para a Valorização do Interior”, indica a resposta enviada por correio eletrónico, elaborada pelos gabinetes da ministra da Cultura e do ministro Adjunto e da Economia.

Um dos objetivos do plano é “identificar obras de arte existentes em reservas nos museus nacionais que não estejam em exibição (e para as quais não existe espaço físico disponível para as expor), definindo parcerias com museus regionais e/ou locais para a sua exibição. É a implementação desta medida que está em análise, aqui se incluindo o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado”.

Segundo o protocolo, parte das peças do espólio de Veloso Salgado “não se integram na vocação ou perfil” do MNAC, “dedicado especialmente às categorias de pintura, escultura, fotografia e obras sobre papel, a partir de 1850 até à atualidade”.

Nascido em Ourense (Espanha), em 1864, Veloso Salgado tornou-se cidadão português, foi Académico de Mérito da Academia de Belas-Artes de Lisboa, tendo, nomeadamente, decorado a sala de audiências do Tribunal de Comércio na Bolsa do Porto, realizado pinturas para o Museu de Artilharia (entre 1901 e 1905), executado “A Medicina através dos séculos”, conjunto de grandes painéis destinados a decorar a Sala dos Actos do novo edifício da Escola Médica de Lisboa e, com Benvindo Ceia, as pinturas do pano de boca e do teto do Teatro Politeama, além da execução de As Constituintes, para a luneta da sala da Câmara dos Deputados. Veloso Salgado morreu em Lisboa em 1945.

O depósito do espólio do pintor é feito por um período de dez anos, renovável, devendo a Câmara da Golegã assegurar as condições de segurança e de conservação das peças, nas salas de exposição, nas reservas e nas áreas de depósito, fixando o protocolo mecanismos de controlo, como a realização de vistorias técnicas, “incluindo uma verificação obrigatória a meio do período de vigência”.

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