O novo líder de um dos maiores grupos de supremacistas brancos nos EUA, o Movimento Nacional Socialista, é um negro de 54 anos chamado James Hart Stern, que é um conhecido ativista pelos direitos das minorias e que tem no currículo ter conseguido provocar a dissolução de uma célula do KKK depois de se ter encontrado com o seu líder, que estava na prisão.

Não se sabe ainda, exatamente, como é que James Hart Stern conseguiu subir ao topo da organização, tomando o lugar do antigo líder Jeff Schoep. Sabe-se, porém, que a intenção de Stern é provocar a dissolução deste movimento, um dos que estão a ser julgados por crime de conspiração e negligência, pelo envolvimento no chamado massacre de Charlottesville (um confronto entre supremacistas brancos e ativistas pelos direitos das minorias, em 2017, que acabou com uma morte por atropelamento).

Segundo documentos que deram entrada no sistema judicial dos EUA, citados pela Associated Press, Stern confirma ter sido escolhido como novo líder do grupo neonazi, deixando desde logo claro que “não existia qualquer relação formal ou informal com este grupo” antes de fevereiro deste ano. Desta forma, Stern coloca-se à margem do que aconteceu em Charlottesville, do ponto de vista jurídico. Mas, daqui para a frente, o ativista tem responsabilidades sobre o que o grupo faz — e o seu objetivo é fazer com que o grupo impluda, designadamente minando por dentro a defesa judicial do grupo nos processos que enfrenta.

O método é um pouco diferente do que o que foi usado por Stern quando se envolveu na luta contra o KKK. Quando o líder de um grupo do KKK no Michigan foi para a prisão, cumprindo pena pela morte de três ativistas pelos direitos dos negros, James Hart Stern foi colocado na mesma cela (Stern também cumpria uma pena de cinco anos por um crime financeiro). Os dois homens passaram mais de um ano a dividir a mesma cela e, no final, o líder do grupo do KKK cedeu a Stern direitos de representação que este usou para fechar a célula do grupo extremista.

Sabe-se, também, que James Hart Stern há vários anos estava a trabalhar em conjunto com o antigo líder do Movimento Nacional Socialista, tendo conseguido persuadi-lo a eliminar o símbolo da cruz suástica do seu logótipo. A sua ascensão a líder do movimento ainda está por explicar, mas para antigos membros do grupo isto significa o fim de um dos movimentos de supremacia branca que existem há mais tempo nos EUA.

Num vídeo publicado no seu website pessoal, citado pela mesma agência noticiosa, Stern refere a dada altura que “eu defini como objetivo pessoal erradicar o KKK e o Movimento Nacional Socialista, que são duas organizações que existem neste país e que há muito recebem privilégios que não merecem”.