Timor-Leste

Professores portugueses regressam a Timor-Leste para destacamento em escolas

O projeto tem uma componente de ensino e de formação, essencial para garantir a sustentabilidade a longo prazo, e conta com 140 professores portugueses.

Ana Freitas/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Um primeiro grupo de 84 professores portugueses, de um total de 140 que estarão destacados nas escolas de referência em Timor-Leste, começa esta sexta-feira a distribuir-se pelos municípios timorenses, depois de encontros preparativos finais em Díli.

Os docentes dos treze Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), que chegaram a Díli na quinta-feira, estiveram reunidos esta sexta-feira com a ministra da Educação, Juventude e Desporto, Dulce Soares, responsáveis do Ministério e as coordenadoras daquele que é o maior projeto da cooperação luso-timorense.

“Para mim é muito importante poder receber-vos e transmitir-vos umas palavras de força e coragem. Sei que a vida nos municípios não é propriamente fácil, com certeza que sentem falta de muitas coisas a que estão habituados. Por isso louvo a vossa coragem e força de vontade”, disse num encontro no centro de formação de professores (INFORDEP) em Díli.

Estão aqui a representar Portugal, mas também são funcionários do MEJD (Ministério da Educação, Juventude e Desporto) de Timor-Leste pelo que todos esperamos que sejam bons profissionais. A ministra tem sempre as portas abertas e estamos sempre disponíveis para vos ouvir e responder às vossas necessidades dentro das nossas possibilidades”, afirmou.

A este primeiro grupo de 84 professores — todos eles em renovação de contrato e já conhecedores da realidade de Timor-Leste — juntam-se em meados de março, segundo os responsáveis do projeto, mais 56.

A maior parte dos professores do segundo grupo estreiam-se em Timor-Leste, sendo que há alguns dos docentes que já estiveram no país, ainda que noutros projetos.

Os Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), que são geridos de forma mista por Portugal e Timor-Leste, cabendo a Lisboa o pagamento de salários e a Díli o de componentes salariais e viagens.

No total o projeto conta com 140 professores portugueses e 107 professores timorenses, devendo ser contratados em breve mais uma centena de docentes de Timor-Leste.

As CAFE oferecem ensino público desde o pré-escolar até ao secundário, num processo de ampliação progressivo que permite que haja já turmas de 10º ano em nove dos 13 centros regionais. O projeto tem um componente de ensino, mas também de formação, essencial para garantir a sustentabilidade a longo prazo do projeto, como recordou a ministra timorense.

“Todos temos de tirar o máximo proveito desta oportunidade. As partilhas de experiências e de conhecimento têm de atingir níveis máximos. Sei e espero que continuem a trabalhar em pares pedagógicas par que em breve os professores timorenses tenham todas as competências para assumir em pleno todas as turmas”, disse.

Timor-Leste e os timorenses gostamos muito de ter professores portugueses nas escolas, mas o projeto já se estendeu até ao ensino secundário e por isso esta na hora de serem os professores timorenses a assumir mais responsabilidade, principalmente nos níveis mais baixos como o pré-escolar e o primeiro ciclo do ensino básico”, frisou a governante.

Esse processo permite “mobilizar recursos para outros níveis, especialmente o terceiro ciclo e o secundário”, disse Dulce Soares.

Lina Vicente, coordenadora portuguesa do projeto, disse à Lusa que esse é um dos componentes importantes do projeto que quer, este ano, repetir os êxitos do ano passado, com alunos CAFE a liderar os rankings dos exames nacionais.

“Os CAFE são centro de formação e cada professor timorense tem a sua formação com o seu par pedagógico e tem momentos em que, sem alunos, têm formação. Duas componentes: ensino e aprendizagem e formação dos docentes”, disse.

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