O Grupo VW é quem, entre os fabricantes tradicionais, está a abordar os veículos eléctricos de forma mais coerente e eficaz, à custa de investimentos chorudos. Sobretudo a VW pois, segundo o CEO da Audi, a plataforma PPE desenvolvida pela Porsche enferma de algumas deficiências que vão provocar um atraso considerável. Enquanto isso,  o construtor de Wolfsburg concebeu uma base (a MEB) versátil, com custos controlados. Juntamente com tudo isto, montou um esquema eficaz para produzir baterias eficientes , adquirindo células a cinco fornecedores distintos (ainda que a LG, o maior deles, lhe esteja agora a provocar alguns dissabores), para estar tudo pronto para começar a entregar o I.D. Neo a partir do início de 2020.

Hoje perfeitamente por dentro da maioria dos problemas provocados pela produção de automóveis eléctricos, e da relativamente desconhecida tecnologia das baterias, Herbert Diess, o CEO da VW, está capaz de avaliar quem, como ele, está neste tipo de negócio. E se bem que no passado tenha chegado a afirmar que “a VW conseguiria fazer melhor do que a Tesla por metade do preço”, agora admitiu que “a Tesla está a fazer um bom trabalho”, numa entrevista ao Financial Times. Alegando de seguida que a marca americana tem, contudo, a vantagem de “não ter de se preocupar com a necessidade de continuar a produzir veículos com motores de combustão”. O que é uma realidade.

Porém, outra realidade que Diess preferiu não mencionar é que se a Tesla não tem de conceber novas versões de motores a gasolina e a gasóleo, e novos veículos para os utilizar, tão pouco tem o rendimento proveniente das suas vendas, que hoje representam 98% do total de veículos comercializados na Europa, e que mesmo em 2030 deverão manter cerca de 70% das vendas.

É um facto que a VW vai conseguir, a curto prazo, produzir mais veículos eléctricos do que a Tesla, tanto mais que os alemães prevêem atingir 3 milhões em 2025. E a Tesla, já com o Model 3 e Model Y a trabalhar em pleno, bem como as suas fábricas nos EUA e China, dificilmente ultrapassará 1.5 milhões de veículos. Mas será um erro desdenhar as vantagens de quem lidera determinadas tecnologias fundamentais nos veículos alimentado a bateria, como acontece com a Tesla. Basta ver o que acontece no universo dos telemóveis. A Apple foi já ultrapassada pelas gigantescas Samsung e Huawei na venda de smartphones, e outras se seguirão, mas isso não belisca os seus lucros nem o seu peso, ou a sua imagem no mercado, o que se manterá enquanto conseguir continuar a surpreender o mercado, tecnologicamente.