O presidente executivo da Altice Portugal disse à Lusa que está a analisar a venda dos ativos de fibra ótica, que conta com “mais de uma dezena” de entidades internacionais interessadas e que a decisão será tomada até junho.

“Nós hoje temos quatro milhões e seiscentas mil casas já cobertas com fibra ótica e, portanto, estamos na casa de 75%/80% do país e temos planos para até 2020 continuar para chegar próximo dos 100%”, como era o objetivo, recordou Alexandre Fonseca, em entrevista à Lusa.

“Agora, a questão da venda dos ativos de fibra foi um tema que começou em França” e “obviamente que Portugal está a fazer uma análise” sobre o mesmo processo, acrescentou o gestor.

“Neste momento estamos nessa fase apenas, a analisar a potencialidade. Porque se em França foi possível fazer esse negócio”, também é “legítimo nós pensarmos” avançar para o mercado português.

Alexandre Fonseca sublinhou que a cobertura da rede de fibra em Portugal é superior a 75% das casas, tratando-se de “uma rede que tem um valor grande”.

Ora, “o que nós queremos é que esta rede seja uma rede aberta, seja uma rede que possa ser utilizada por outros operadores” e “que possa evitar questões de investimentos que são replicados, o que não é racional económico”, além disso, a rede representa um “investimento significativo”, prosseguiu o presidente da dona da Meo.

“Nós investimos 2.000 milhões de euros em Portugal nos últimos quatro anos, uma parte muito importante deste investimento foi feito nas redes de fibra ótica”, apontou.

Por outro lado, “também queremos ajudar a competitividade do país e queremos abrir a nossa rede para que os outros possam efetivamente usar de forma transparente a nossa rede. É isso que nós temos em cima da mesa”, acrescentou.

Questionado sobre se a decisão de venda será tomada ainda este ano, Alexandre Fonseca foi perentório: “Absolutamente, eu diria que vamos tomar uma decisão na primeira metade deste ano”.

Sobre com que participação a Altice Portugal pretenderá ficar no caso da venda da fibra ótica, o gestor disse que isso irá depender de vários fatores.

“Claramente que a participação em empresas desta natureza é algo que é sempre relevante. Se é maioritário, se é minoritário, é um tema que tem que ser discutido, dependente do parceiro, dependente da valorização, não é algo que nos preocupa”.

Aliás, “o que nos preocupa, sim, é outra coisa, que seja definido à cabeça a capacidade de executarmos este projeto, de continuarmos a levar fibra ótica todos os portugueses, de continuarmos a investir no território nacional, continuarmos a construir rede nos territórios de baixa densidade populacional, onde os outros operadores nem sequer existem, nem querem porque não é rentável”, salientou o gestor.

Alexandre Fonseca rejeitou ainda regulação sobre a fibra ótica.

“Não acredito, no que toca às redes de fibra ótica, os temas de regulação (…), acho que a antiga administração do nosso regulador tomou uma extraordinária decisão do ponto de vista de não regular a rede de fibra ótica porque não faz sentido, ainda para mais quando temos uma rede de cabo em Portugal que é praticamente idêntica à rede de fibra ótica, em termos dimensão e não é regulada”, sublinhou.

Nesse sentido, “por que é que a fibra ótica deveria ser? Mas, acima de tudo, nós acreditamos em soluções de mercado. Foi por isso que há um ano e meio propusemos e apresentámos à Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações], à antiga administração, exatamente uma oferta comercial para acesso à nossa fibra e agora estamos a equacionar podermos vir a fazer essa venda com um dos ‘drives’ [motores] ser claramente a abertura, depois, também a outros operadores”, argumentou.

“Neste momento estamos a analisar [a eventualidade da venda da fibra], há muito interessados e isso é um facto”, disse.

“Já fomos contactados por mais de uma dezena de entidades internacionais que estão interessadas nesse negócio”, que salientou, citando a imprensa, representa um negócio com valores “na casa dos 7.000 milhões de euros de valorização empírica”, nesta fase.

Em suma, “estamos tranquilamente a analisar e é algo que eu vejo de uma forma natural porque cada vez mais os operadores de telecomunicações têm que se diferenciar pelo serviço, a qualidade do serviço que damos aos nossos clientes, a experiência que damos aos nossos clientes, a abrangência de serviço”, sublinhou Alexandre Fonseca.

A Altice Portugal está para ficar, garantiu o gestor, que sublinhou que em 2018 a empresa investiu 86 milhões de euros em inovação.

“Posso complementar nos últimos nove anos, ano após ano, a Altice Labs, e só a Altice Labs, tem injetado no sistema universitário português mais de meio milhão de euros por ano direto” em inovação.

“Eu diria que são sinais claros, mais uma vez, da nossa vontade de investirmos no país e esse investimento na inovação é um investimento chave”, garantiu.

Questionado sobre se a dona da Meo vai manter o mesmo ritmo de investimento, Alexandre Fonseca afirmou a empresa vai continuar a investir em inovação, mas os valores dependem dos ciclos económicos.

“Tem sido em crescendo, alguma vez teremos de colocar um teto nesse crescendo, porque o investimento em inovação é um investimento de longo prazo, não é um investimento com retorno imediato”, disse.

“Vamos continuar a investir em inovação? Sim. Os montantes são também sempre dependentes dos ciclos económicos que vivemos e, neste momento, estamos a começar a atravessar um ciclo económico que a mim, particularmente, me preocupa pelas questões que têm sido públicas do ponto de vista regulatório. E, portanto, eu diria que a capacidade de continuarmos a investir em inovação e não só, investirmos no país, vai depender muito ambiente regulatório que atravessamos”, rematou.