O Museu Van Gogh, dedicado à obra do pintor impressionista holandês, considera que se identificou de forma errada Campo de Trigo com Corvos como a obra final do artista antes do seu suicídio, em julho de 1890. A pintura, muito menos conhecida, Raízes de Árvores terá sido o último trabalho da vida de Vincent van Gogh.

De acordo com o Hypperalergic, os investigadores do museu de Amesterdão encontraram uma carta do pintor que indica a data em que terminou Campo de Trigo com Corvos: 10 de julho de 1890. Durante as duas semanas e meias que separam a finalização de Campo de Trigo com Corvos e a morte de Vincet van Gogh, a 29 de julho de 1890, o pintor terá iniciado Raízes de Árvores, um quadro que nunca chegou a completar.

Raízes de Árvores, que se considera agora o trabalho final de Vincent van Gogh (Google Arts)

Precisamente por não estar completo é que Raízes de Árvores é tido como o melhor candidato a trabalho final de van Gogh. O pintor raramente deixava pinturas por acabar, nunca começando uma sem terminar outra.

O cunhado de Theo van Gogh, irmão do pintor holandês, chegou a referir numa carta de 1891 outro quadro como sendo o último trabalho do pintor, Quintas Perto de Auvers, um “retrato cheio de sol e vida”. Andries Bonger deixaria, mais tarde, de se referir diretamente a este quadro, apresentando uma descrição menos específica da última obra de van Gogh que se encaixa no estilo mais abstrato de Raízes de Árvores.

O investigador do Museu Van Gogh, Louis van Tilborgh, lê a pintura como um autorretrato do pinto holandês. “As raízes estão deitadas e nuas, arrancas da terra e expostas ao perigo”, explicou. Esta seria a forma de Vincent van Gogh de dizer: “Vivo como estas raízes. Fiz o meu melhor. Tive dificuldades na vida. Cresci, passei por contratempos e agora é tempo de acabar. Estou em queda”.