O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, conseguiu regressar à Venezuela. A garantia foi dada pelo próprio no Twitter, onde escreveu: “Já na terra amada! Venezuela, acabámos de passar o controlo de migração e vamos até onde estiver o nosso povo!”.

Juan Guaidó foi recebido no Aeroporto Internacional de Maiquetía Simón Bolívar, a Norte de Caracas, por centenas de pessoas. Entre estas, de acordo com o Caraota Digital, estava também os embaixadores de vários países, incluindo Portugal.

Ainda antes de ter aterrado, Juan Guaidó fez um discurso dentro do avião comercial que o levou ao aeroporto de Maiquetía. “O que vamos fazer nos próximos dias vai, sem dúvida nenhuma, recuperar a nossa liberdade e a nossa democracia”, disse, pelo intercomunicador do avião.

Juan Guaidó agradeceu ao corpo diplomático na Venezuela que o ajudou, de acordo com o que se pode ver em imagens do Caraota Digital, a ir do aeroporto para Las Mercedes, no Norte de Caracas.

Cerca de uma hora depois de ter aterrado na Venezuela Juan Guaidó discursou em Las Mercedes, subúrbio a Norte de Caracas, onde o esperavam milhares de apoiantes. “Conseguimos manter este povo honrado na rua, mantivemo-nos nas ruas”, disse. “Hoje dizemos com fé, certeza e esperança, que estamos aqui apesar das ameaças, dos grupos armados que puseram nas fronteiras e dos massacres.”

De seguida, dirigiu-se à plateia. “Apesar disso, quero perguntar ao povo da Venezuela: há alguma ponta de medo?”, perguntou. As pessoas em Las Mercedes responderam-lhe num sonoro “não!” coletivo.

Juan Guaidó falou também do dia 23 de fevereiro, em que, sem sucesso, camiões e embarcações com ajuda humanitária dos EUA e do Brasil tentaram entrar em diferentes pontos das fronteiras venezuelanas.

“Não podemos falar do 23 de fevereiro como um sucesso. Claro que não”, disse Juan Guaidó, que no próprio 23 de fevereiro chegou a dizer, erradamente, que os camiões já estavam a circular na Venezuela, quando nunca chegaram a passar dos cordões de militares leais ao regime. “Mas não foi pela falta de vontade de todos vocês, dos EUA, Colômbia, Brasil, Curaçao, que nos ajudaram. Nem pela boa vonrade dos milhões de voluntários que continuam a insistir”, disse.

Sobre a repressão que resultou em quatro mortos entre 22 e 23 de fevereiro, todos indígenas na fronteira com o Brasil, Juan Guaidó disse: “Nós já conhecíamos a pior cara do regime. Mas [naqueles dias] utilizaram a sua última linha de defesa, os coletivos armados, presos armados, para massacrar os nosso indígenas. Mas que regime de esquerda, que é o que governo de esquerda ataca indígenas?”. E depois acrescentou que “isto não tem nada a ver com esquerda ou direita”. “Disse-o ao Presidente Lenín Moreno [do Equador, de centro-esquerda]. Simplesmente são assassinos que massacram o nosso povo”, atirou Juan Guaidó.

Juan Guaidó fez ainda dois anúncios no seu discurso, com datas para marcar na agenda. A primeira data é já nesta terça-feira, 5 de março, dia para o qual convocou com os sindicatos dos funcionários públicos. O segundo anúncio remete para sábado, 9 de março, dia em que Juan Guaidó voltou a apelar para uma “grande mobilização” em todo o país.

Nicolás Maduro quer que Guaidó seja detido, mas não é certo que isso aconteça

Juan Guaidó regressa à Venezuela 11 dias depois de ter saído do país e em dia de manifestações, por ele mesmo convocadas. De acordo com o que escreveu no Twitter, pouco depois de ter aterrado no aeroporto de Maiquetía, o autoproclamado Presidente interino da Venezuela adiantou que vai estar presente nas manifestações anti-Maduro desta segunda-feira, em Caracas.

Num segundo tweet após ter chegado à Venezuela, escreveu: “Entrámos na Venezuela como cidadãos livres, que ninguém nos diga o contrário”.

Juan Guaidó esteve 11 dias fora da Venezuela, depois de ter saído do país a 22 de fevereiro, véspera da data marcada para a ajuda humanitária norte-americana e brasileira entrarem por diferentes pontos das fronteiras venezuelanas. Após o dia 23 de fevereiro, em que os camiões com ajuda humanitária não conseguiram penetrar as barreiras de militares leais ao governo Nicolás Maduro, Juan Guaidó fez um périplo por diferentes da América Latina.

Ao longo dos últimos dias, Juan Guaidó esteve reunido com os líderes dos diferentes países sul-americanos, sendo a maior parte destes integrantes do Grupo de Lima, que reúne países que defendem uma transição política na Venezuela que leve ao fim do regime de Nicolás Maduro.

Na Colômbia, Juan Guaidó reuniu-se não só com o Presidente Iván Duque, tal como com o vice-Presidente dos EUA, Mike Pence. No Brasil, esteve com o Presidente Jair Bolsonaro; no Paraguai foi recebido pelo Presidente Mario Abdo Benítez; na Argentina, reuniu-se com o Presidente Mauricio Macri; e no Equador esteve com o Presidente Lenín Moreno.

Juan Guaidó arrisca ser detido agora que voltou a pisar solo venezuelano. “Ele pode vir, mas terá de enfrentar a Justiça”, avisou Nicolás Maduro em entrevista, citada pela Al Jazeera. “Ninguém está cima da lei. Neste caso, Guaidó terá de responder perante a Justiça, não perante Nicolás Maduro”, disse o dirigente chavista.

Isso não significa, contudo, que o opositor seja imediatamente detido, como explicaram alguns especialistas. “Se ele entrar e for detido vão gerar-se fortes reações internas e internacionais. Maduro está em risco permanente”, avisou o analista político Luis Salamanca à Agência France-Press. Fontes do aparelho chavista garantem ao El País que o objetivo é “evitar cair em provocações” e que está a ser analisada a possibilidade de impedir simplesmente Guaidó de entrar no país, condenando-o a um exílio forçado.

Na antecipação de Juan Guaidó poder ser detido ao regressar à Venezuela, países como os EUA, Alemanha, Brasil e Panamá tomaram uma posição pública perante essa possibilidade. No caso dos EUA, a reação foi do conselheiro para a Segurança Nacional de Donald Trump, John Bolton, que escreveu no Twitter: “Quaisquer ameaças ou atos que impeçam o seu regresso em segurança terão uma resposta forte e significativa dos EUA e da comunidade internacional”.

Guaidó diz que regime não é de esquerda mas de “assassinos” que massacram venezuelanos

O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, acusou esta segunda-feira o regime de Nicolás Maduro de não ser de “esquerda” mas de “assassinos” que massacram os venezuelanos. “Qual governo de esquerda, quando não há liberdades sindicais, quando atacam os indígenas? (…) Isto não tem nada a ver com a esquerda, nem com a direita, simplesmente são uns assassinos que massacram o nosso povo“, acusou.

Juan Guaidó falava para milhares de simpatizantes que se concentraram na Praça Alfredo Sadel de Las Mercedes (leste de Caracas), à espera do regresso do líder da oposição de uma viagem pela Colômbia, Brasil, Paraguai e Brasil. “O regime ofereceu a sua pior cara. Usou a sua última linha de defesa, os coletivos (grupos armados afetos ao regime) e presos armados, para massacrar os indígenas”, frisou.

Juan Guaidó fazia alusão aos acontecimentos ocorridos a 23 de fevereiro na fronteira da Venezuela com o Brasil em que quatro pessoas foram mortas, segundo a imprensa local, por defenderem a entrada de ajuda humanitária internacional no país. Por outro lado, Guaidó insistiu que os venezuelanos devem manter-se mobilizados nas ruas para conseguir o “fim da usurpação, um governo de transição e eleições livres no país”, recordando que a 23 de janeiro jurou assumir as competências do poder executivo no país, para “selar a transição”.

Segundo Guaidó, há dois elementos importantes para conseguir esses objetivos, “a união de todos, não somente do parlamento, mas também dos partidos, dos estudantes jovens (…) mulheres e sindicatos”. “Da Igreja católica, porque Deus está connosco. Todas as igrejas”, frisou. O segundo elemento, afirmou, é manter a mobilização nas ruas, para garantir a transição.

Juan Guaidó abordou o “bem sucedido périplo” que fez pela América do Sul e agradeceu à Colômbia, Brasil, Equador, Paraguai, Peru e Honduras pelo apoio recebido, sublinhando que “o mundo apoia esta luta libertadora”. Segundo o presidente interino, a oposição hoje está “muito mais forte que nunca” e “não será através da perseguição e da ameaça” que será detida.

Sublinhou ainda que a oposição continuará “a insistir para a entrada da ajuda humanitária” internacional no país e anunciou que terça-feira se reunirá com representantes dos sindicatos. No próximo sábado, acrescentou, “toda a Venezuela voltará às ruas em busca de liberdade”.

Estados Unidos exigem regresso seguro de Guaidó à Venezuela e ameaçam responder a incidentes

No passado dia 23 de fevereiro, pelo menos quatro pessoas morreram e centenas ficaram feridas em confrontos ocorridos nas zonas de fronteira da Venezuela com a Colômbia e o Brasil, quando militares e polícias impediram a entrada de ajuda humanitária internacional. Guaidó chegou esta segunda-feira à tarde ao aeroporto internacional de Caracas, onde foi recebido por uma multidão composta por apoiantes e embaixadores de vários países europeus e latino-americanos, segundo imagens transmitidas em direto.

Entre os embaixadores europeus estava o de Portugal, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro, confirmaram fontes diplomáticas à agência Lusa. Guaidó regressou à Venezuela após uma viagem de uma semana por vários países daquela região e sob a ameaça de ser detido pelas forças de seguranças venezuelanas. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (STJ) tinha proibido, em finais de janeiro, o autoproclamado presidente interino de sair do país.