O vice-presidente da bancada do Partido Socialista (PS) desafiou esta segunda-feira o ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho, a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, e Sérgio Monteiro, que esteve à frente do processo de venda do Novo Banco, para irem ao Parlamento dar explicações sobre a resolução do Banco Espírito Santo (BES), em 2014, e sobre a venda falhada do Novo Banco em 2015.

Sabemos que a separação do BES num suposto banco bom e banco mau não foi exatamente assim, foi uma história que foi contada em 2014, quando Portugal, pela mão do anterior Governo PSD/CDS, tentou a saída limpa. Se soubéssemos, na altura, a verdadeira dimensão da péssima gestão do BES e deficiente supervisão financeira do Banco de Portugal, certamente que hoje não teríamos estes problemas, estes ativos tóxicos, estes créditos que estão a gerar imensas imparidades”, argumentou João Paulo Correia, em declarações à RTP3.

João Paulo Correia voltou ainda a sublinhar o apoio às auditorias, garantindo que “a gestão que será feita neste ano de 2019 será feita por todos os bancos” e que o Novo Banco não ficará de fora dessa supervisão financeira. “Agora temos de confiar na administração que está à frente do Novo Banco, e confiamos nesta administração”.

Na sexta-feira, o Novo Banco anunciou que vai pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução, tendo o Ministério das Finanças anunciado que “considera indispensável” a realização de uma auditoria para escrutinar o processo de capitalização deste banco. “Do nosso ponto de vista, nenhuma decisão deve ser tomada sem cabal esclarecimento público que vai ser dado no Parlamento”, sublinhou ainda o vice-presidente da bancada do PS.

Novo Banco vai pedir injeção de 1149 milhões ao Fundo de Resolução

O socialista esclareceu que “o banco tem de prosseguir a sua vida, tem que de uma vez por todas entrar numa rota de resultados líquidos positivos” e que é necessário “dar esse voto de confiança à atual administração, porque ninguém está a pôr em causa a atual administração do Novo Banco, mas todos os portugueses querem saber o que se passou, o que foi feito, o que aconteceu em 2014 na resolução, porque é que a venda falhou em 2015 e o que é que explicam estes prejuízos que foram obtidos no ano de 2018″.

Para o PS, os prejuízos apresentados pelo Novo Banco são causados por dois principais problemas: “A má resolução do BES, onde o antigo Governo e o governador do Banco de Portugal têm responsabilidades, e a venda falhada de 2015”.

O Novo Banco, que ficou com parte da atividade bancária do BES — resgatado no verão de 2014 –, é desde outubro de 2017 detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star, sendo os restantes 25% propriedade do Fundo de Resolução bancário (entidade da esfera pública gerida pelo Banco de Portugal). Então, a Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, e negociou um mecanismo que prevê que, durante oito anos, o Fundo de Resolução injete até 3,89 mil milhões de euros no Novo Banco por perdas que venha a registar num conjunto de ativos “tóxicos” e alienações de operações não estratégicas (caso ponham em causa os rácios de capital da instituição).