É, para já, uma das maiores surpresas do Salão de Genebra, que só amanhã abre as suas portas à comunicação social: Toni Piëch, um dos 12 filhos de Ferdinand Piëch, avançou em 2016 com a criação de uma marca própria para veículos eléctricos. O nome do novo fabricante (Piëch Automotive) carrega o apelido da família que possui 10% da Porsche.

Enquanto o público aguarda para Setembro, em Frankfurt, a versão de produção do primeiro eléctrico da Porsche, o Taycan, em Genebra vai já poder ser visto o Piëch Mark Zero, um desportivo com mais de meio milhar de cavalos, dotado com umas misteriosas baterias das quais pouco se sabe, excepto que são fornecidas pelos japoneses do Desten Group e que são compostas por umas novas células altamente avançadas. Segundo o fabricante, não aquecem nas fases de carga e descarga e isso permite-lhes serem apenas refrigeradas a ar, reduzindo o peso do GT eléctrico em cerca de 200 kg (peso total de 1.800 kg). Outro dos trunfos reside na rapidez da carga, com a Piëch Automotive a garantir que é possível efectuar 80% do carregamento em apenas 4 minutos e 40 segundos. A confirmar-se, muito melhor que os 20 minutos exigidos pelo Taycan.

Os dois fundadores da Piëch Automotive, Toni Piëch e o director criativo Rea Stark Rajcic

Assente numa plataforma modular própria, que vai servir de base para o lançamento de três novos modelos, incluindo um SUV desportivo, o Piëch Mark Zero tem a particularidade de não montar o pack de baterias tipo skate (na base do chassi), optando antes por dispor os módulos em T, entre o eixo traseiro e o túnel central. Uma solução que, segundo a marca suíça, não só permite uma posição de condução mais baixa, como se pede a um desportivo, como também resulta numa melhor distribuição do peso.

Sem nunca mencionar a capacidade das baterias, a Piëch assegura que estas serão suficientes para “alimentar” os três motores de 204 cv do Mark Zero, um montado no eixo da frente e os outros dois no eixo traseiro.  A potência total do conjunto não foi revelada, mas andará entre os 550 e os 600 cv, ou seja, na casa daquilo que o Porsche Taycan propõe (600 cv). Mas a capacidade de aceleração será melhor, pois enquanto a berlina desportiva de Estugarda precisa de “menos de 3,5 segundos” para ir de 0 a 100 km/h, o Mark Zero anuncia 3,2 segundos. A velocidade máxima, em ambos os casos, está limitada a 250 km/h.

Resta aguardar por mais especificações técnicas e, convenientemente, pelo preço e data de chegada ao mercado deste novo desportivo eléctrico. Esclarecimentos que potencialmente surgirão a partir de amanhã, no decorrer do Salão de Genebra.