O alerta terá sido dado por um recluso que informou o diretor do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco sobre o que se estava a passar: dez reclusos estariam a abrir um buraco na parede de uma camarata para tentar fugir. Confirmou-se. Quando os guardas prisionais chegaram, “o buraco já tinha cerca de 70 e poucos centímetros“, explicou um outro recluso, não envolvido no incidente, em declarações à SIC.

Não foi detetado por nenhum guarda, por ninguém. Foi um recluso que foi informar o diretor do que se estava a passar”, disse o recluso à SIC.

Aconteceu na noite do passado sábado. Os reclusos envolvidos no incidente terão usado as barras para levantar pesos, existentes no ginásio do Estabelecimento Prisional, para destruir o estuque e os tijolos da parede da camarata. Essas barras, revelou ainda o recluso à SIC, estavam desaparecidas. “Há uma semana que se deu pela falta dos ferros“, disse.

Júlio Rebelo, dirigente do Sindicato Independente da Guarda, explicou ao Diário de Notícias que os reclusos poderiam estar a fazer o buraco há já vários dias, escondendo-o, por exemplo, com uma cama impedindo assim que os guardas prisionais percebessem o que ali estava a ser feito.

A fuga estaria, no entanto, planeada para domingo. “Eles já tinham mandado a roupa fora, tinham mandado tudo. Eles já iam embora agora, no domingo à noite”, contou o recluso. Não se sabe bem qual era o plano, uma vez concluído o buraco. Explica ainda o recluso que a parede que estava a ser destruída “dava para a parte de trás, que é a cozinha”. No entanto, revela que “é muito fácil” os reclusos saírem para o exterior, por ali, diz explicando como o poderiam ter feito.

Familiar de um dos envolvidos já tinha fugido da mesma prisão em 2013

Este plano foi detetado a tempo. Mas em 2013, três reclusos conseguiram mesmo fugir do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco. Um deles era, de acordo com a versão em papel do Jornal de Notícias, familiar de um dos dez reclusos envolvidos na tentativa de fuga do passado sábado.

Os três reclusos, com 49, 55 e 27 anos, fugiram pelas 19h00 do dia 17 de novembro de 2013. Aproveitaram a “passagem para o jantar”, que ocorre junto à portaria da prisão para escapar. Os reclusos agrediram com extrema violência os três guardas prisionais que estavam a fazer a passagem, utilizando para tal uma chave de fendas. Um dos guardas foi fechado numa arrecadação, já depois de ser agredido.

Os três elementos do corpo da guarda acabaram por ser hospitalizados. Os reclusos foram depois detidos, embora um deles, o homem de 55 anos, só tenha sido detido em fevereiro do ano seguinte, no concelho de Loures.

Direção Geral considera “excessiva” a expressão “tentativa de fuga”, mas instaurou inquérito

Dois dos reclusos envolvidos agora no incidente — os cérebros do plano — foram transferidos para a cadeia de alta segurança de Monsanto. Para tal, revelou Jorge Alves, do Sindicato dos Guardas Prisionais, em declarações à rádio Renascença, “foi preciso convocar guardas”. “Assim se vê a diminuição do efetivo. Inclusive o chefe de turno, que é responsável pela equipa e deve estar a tratar do assunto, estava a auxiliar na revista das pessoas e na sua entrada para a visita, devido à falta de pessoal”, explicou. O incidente em si, que alarmou quem ali estava, obrigou ao reforço de segurança na ala onde aconteceu.

Jorge Alves aponta a política da direção do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco para a falta de segurança que diz existir. “À semana tem muita gente de segunda a sexta das 8h às 17h, e a partir das 17h de sexta-feira até às 8h de segunda são muito poucos guardas“, disse em declarações à rádio Renascença. Quando o plano de fuga foi impedido, estariam “apenas cinco guardas de serviço”, segundo o dirigente sindical Júlio Rebelo.

Infelizmente isto é uma política da casa, da diretora e do chefe da cadeia, que não estão preocupados com a segurança e depois leva a este tipo de situação”, acrescentou Jorge Alves.

Fonte da Direção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) negou a existência de um buraco — diz que são apenas “danos na parede até ao tijolo” –, adiantando que considera “excessiva” a expressão “tentativa de fuga”. Ainda assim, a DGSP instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias  e o diretor-geral, Rómulo Augusto Mateus, esteve este domingo no Estabelecimento Prisional.