O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acredita que o cessar-fogo no Sudão do Sul está a ser bem-sucedido, mas alerta para os confrontos esporádicos no país, que indicam que “a situação continua frágil”.

Num documento publicado durante a noite de terça-feira, o Secretário-Geral da ONU aponta para o incumprimento de metas importantes estabelecidas no acordo de paz assinado em setembro, num momento em que se cumprem cinco dos oito meses previstos na missiva para uma transição pacífica.

Entre as metas por cumprir, referiu Guterres, estão “o silenciar das armas”, o alcance de uma visão comum para o setor da segurança, o estabelecimento de acordos para a segurança e a formação de um governo de transição que alcance as quotas acordadas para mulheres e oposição. Guterres considera que o acordo entre governo e oposição representa “a melhor e única opção para uma solução política para o conflito no Sudão do Sul”.

Com a conquista da sua independência do Sudão, em 2011, havia expectativa por parte da comunidade internacional para um ambiente pacífico e estável no Sudão do Sul, mas os conflitos étnicos iniciados em dezembro de 2013, entre as forças leais ao Presidente, Salva Kiir — um dinka — e as forças leais a Riek Machar – um nuer seu antigo vice-presidente –, mergulharam o país numa crise humanitária.

Em pouco mais de cinco anos, o conflito matou quase 400.000 pessoas, provocou milhões de deslocados enquanto mais de sete milhões — dois terços da população — passaram a enfrentar uma situação de “grave insegurança alimentar”.

Desde então, governo e oposição assinaram vários acordos de paz que se revelaram insuficientes, embora o mais recente, datado de setembro, esteja a ser marcado por uma maior abertura pelas partes em conflito para o fortalecimento da confiança.

António Guterres afirmou ainda que o regresso de líderes da oposição à capital desenvolveu “algum impulso positivo”, mas que “ainda há muito para ser feito”.

Na opinião do Secretário-Geral da ONU, as atividades para a implementação do acordo de paz têm-se focado em questões processuais e “os cronogramas para cumprir os parâmetros políticos e de referência específicos predefinidos do período de pré-transição sofreram um desvio”.

Ainda assim, Guterres sublinhou a questão da segurança, que melhorou entre dezembro e o fim de fevereiro, mas afirmou que “a violência, incluindo violência contra mulheres e crianças, raptos, ataques e emboscadas contra civis continuaram a níveis alarmantes”.

No relatório, Guterres propôs o fortalecimento e a renovação do mandato da força de manutenção de paz no Sudão do Sul — que conta com 14.900 militares e 1.870 membros de forças policiais — por mais um ano. O secretário-geral acredita que a proposta será aprovada “assim que um acordo de segurança seja alcançado”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá votar no dia 14 de março para a renovação do mandato da missão de manutenção de paz no Sudão do Sul.