A polícia catalã, os Mossos d’Esquadra, detiveram esta terça-feira o presidente do partido de extrema-direita espanhol Vox de Lérida, por suspeitas de abusos sexuais contra menores. José Antonio Ortiz Cambray deverá ser presente nesta quarta-feira, avança o jornal catalão Segre.

José Antonio Ortiz Cambray foi detido no local de trabalho, no bairro de Cappont, na Catalunha, após uma queixa apresentada à polícia catalã. Segundo o jornal espanhol El País, as suspeitas surgiram após os responsáveis de um centro de apoio a pessoas com deficiência em Lérida, tutelado pelo governo catalão, detetarem uma “atitude estranha” por parte de uma das pessoas apoiadas. Após consultarem o telemóvel da alegada vítima, encontraram imagens e conversas que implicavam o político espanhol num alegado crime de abuso sexual. Segundo o mesmo jornal, José Antonio Cambray terá pago cerca de cinco euros para obter práticas sexuais, entre as quais sexo oral. A polícia suspeita de que haja pelo menos quatro vítimas, estando por isso a investigar o relacionamento que o político tinha com as vítimas.

Perante as suspeitas, o partido de extrema-direita decidiu “suspender a filiação” de José Antonio Cambray, até que “os factos sejam esclarecidos ou que se possa tomar uma decisão fundamentada”, lê-se no Twitter oficial. O partido esclarece ainda que o político “não ocupa nenhum cargo de responsabilidade dentro do partido“. No comunicado, o Vox nunca menciona os alegados delitos de que José Antonio Cambray é suspeito.

O atual presidente do Vox em Lérida tinha sido candidato às eleições do Senado em 2016 como representante do partido na província de Lérida. Na segunda-feira, José Antonio Cambray apresentara uma queixa ao Ministério Público por um alegado crime de ódio. O político terá recebido um conjunto de bonecas enforcadas, com as siglas dos partidos  Cs (Cidadanos), PP (Partido Popular), PSC (Partido Socialista da Catalunha), Unidos Podemos e Vox, juntamente com as caras dos líderes e a seguinte mensagem: “Todos os partidos do regime serão culpados da prisão” e “absolvição Pablo Hásel“, aludindo à condenação a dois anos de prisão de um rapper espanhol por ter incentivado o terrorismo nas suas canções.