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Presidente do Centro Hospitalar de Leiria demite-se devido a falta de recursos

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Na carta de demissão, o presidente do Centro Hospitalar afirmou que "não há condições para colmatar as necessidades mínimas em pessoal" e queixou-se da falta de "meios para investimento".

Helder Roque apresentou a sua demissão à ministra da Saúde, Marta Temido, no dia 28 de fevereiro, mas só esta quarta-feira comunicou à estrutura do CHL

Paulo Cunha/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), Helder Roque, comunicou esta quarta-feira aos seus colaboradores que apresentou a sua demissão à ministra da Saúde, em “protesto” pela falta de recursos.

Helder Roque apresentou a sua demissão à ministra da Saúde, Marta Temido, no dia 28 de fevereiro e esta quarta-feira enviou uma carta a dar conhecimento a toda a estrutura do CHL.

Na missiva, a que a Lusa teve acesso, o presidente cessante salienta que a saída do CHL, “enquanto protesto, é o melhor contributo” que pode prestar à “continuação do sonho”: “reforçar a dimensão do CHL como instituição de referência regional, sustentando-o em meios humanos e equipamento”.

Helder Roque recorda que se bateu “incessantemente pela obtenção de mais meios” para o CHL.

Os que lhe são indispensáveis a, pelo menos, sustentar-se equilibradamente na sua atual dimensão e continuar a sonhar com a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população. Por duas vezes, ao longo deste percurso, solicitei a minha saída. Por duas vezes me deram expectativas quanto à resolução de diversos dos problemas do CHL. Por duas vezes recuei expectante”, acrescenta.

Helder Roque destaca que a tutela “não foi parca em elogios ao trabalho” realizado, mas “foi parca em meios”, sobretudo depois da entrada do concelho de Ourém, no distrito de Santarém, na área de influência do CHL.

“Não há condições para colmatar as necessidades mínimas em pessoal, não há meios para investimento. As medidas de contenção acabam por só permitir a libertação de meios para que os mais gastadores paguem as suas dívidas”, sublinha.

Admitindo que, por essas razões, o CHL “vive momentos bastante difíceis e de bastante saturação“, Helder Roque recorda que em 2005, quando foi eleito presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santo André, antes de ser criado o CHL, formou uma equipa com o objetivo de levar para a região “um hospital de referência no quadro do Serviço Nacional de Saúde”.

“A dimensão que atingimos foi reconhecida. Pela organização e qualidade dos serviços, pelas valências implementadas, pela otimização da relação custo/benefício”, escreve, realçando que “foi uma honra liderar e trabalhar com tantos colaboradores que têm vontade de acrescentar valor e prestígio a esta instituição”.

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