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“Cultura em Expansão” regressa com 64 espetáculos gratuitos até dezembro no Porto

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Os Trabalhadores do Comércio, Camané e o ator António Capelo marcam o arranque do "Cultura em Expansão", que este ano chega a Miragaia, Campanhã e Pasteleira com 64 espetáculos gratuitos.

Manel Cruz, antigo vocalista dos Ornatos Violeta, atua em Miragaia às 21h30 do dia 13 de dezembro

D. R.

Autor
  • Maria Martinho
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A 6ª edição do projeto da Câmara Municipal do Porto que leva a cultura a vários territórios da cidade, acontece este ano em três palcos principais: o Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã, o Auditório do Grupo Musical de Miragaia e a Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira, num total de 64 espetáculos gratuitos de 46 projetos diferentes.

O arranque do programa Cultura em Expansão acontece no dia 22 de março em Campanhã, pelas 21h30, com um concerto dos Trabalhadores do Comércio, banda portuense prestes a completar 40 anos de carreira e que neste espetáculo irá celebrar a música e humor que se misturam nas suas canções. Neste fim de semana inaugural, no dia 23, a partir das 21h30, o ator António Capelo vai a Miragaia revisitar os poemas portugueses e brasileiros que se cruzaram com o seu percurso profissional no monólogo “Uma Noite com a Palavra dos Poetas”. No dia seguinte, 24, pelas 17h, o fadista Camané sobe ao palco da Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira para cantar Alfredo Marceneiro.

A partir do romance Orlando de Virgina Woolf, um retrato social e cultural que atravessa várias épocas da história de Inglaterra, a atriz Emília Silvestre traz “Uma Recordação Imperfeita” ao Auditório Grupo Musical de Miragaia, no dia 12 de abril, às 21h30. Nesta peça reflete-se sobre a diferença de géneros e sobre o papel da mulher na sociedade, numa cúmplice relação com o público.

Para assinalar o feriado do 25 de abril, a Associação de Moradores do Bairro da Bouça recebe, a partir das 17h, um concerto de Manuel João Vieira, onde o artista multidisciplinar se apresenta com Gimba, membro fundador dos Afonsinhos do Condados, e Luís Desirat, baterista dos Ena Pá 2000. O coletivo vai interpretar alguns originais e canções do antigamente.  A dupla de artistas Ana Borralho e João Galante desafia um grupo de jovens não atores de Campanhã, com idades entre os 18 e os 23 anos, a responderem a questões sobre amores, preocupações ou inquietações, numa espécie de cartografia da juventude local deste território num jogo mortal em busca da felicidade. “Gatilho da Felicidade” chega a Campanhã no dia 12 de junho, pelas 21h30.

“Manda os Teus Pais Passear” é a peça promovida pelo Teatro Experimental do Porto que a 29 de junho, 6 e 13 de julho convida as famílias a caminhar, reparar e registar, explorando três zonas da cidade: Miragaia, Campanhã e Pasteleira. Partindo de um mapa e de um conjunto de instruções, sugere-se um percurso onde miúdos e graúdos poderão recolher e colecionar objetos, imagens, cheiros ou histórias, refletindo sobre conceitos como o espaço público, fronteiras, liberdade ou migrações.

A atriz e encenadora Sara Barros Leitão apresenta, no dia 12 de julho na Casa D’Artes do Bonfim, pelas 21h30, um micro espetáculo desenvolvido especificamente para o “Cultura em Expansão”, que resulta da sua pesquisa a criação sobre a toponímia da cidade. Em “Todos os Dias Me Sujo de Coisas Estranhas”, Sara encaminha o público a envolver-se em várias historias sobre as ruas do Porto. “Esta é uma peça sobre ruas, a cidade inteira, o lugar público que não pertence a ninguém, mas que há quem pertence a ele. Sobre a história dessas ruas, do nome dessas ruas, sobre a história que aquela rua conta”, revela a atriz.

No dia 22 de setembro, pelas 17h, 18 jovens de São Paulo vão invadir a Escola Alexandre Herculano com o espetáculo “Quando Quebra Queima”. Em 2015, após uma ordem do Governo do Estado de São Paulo para encerrar mais de 100 escolas, um grupo de estudantes ocuparam as escolas, impediram a reestruturação e criaram um movimento, com diferentes formas de expressão, onde propuseram como a escola do futuro deveria funcionar e se reorganizar. Desse desejo e experimentação, nasceu a Coletiva Ocupação. Nesta performance, o grupo tem no teatro e na dança uma ferramenta de revolta.

Depois da Objetoteca Popular Itinerante, um teatro popular que percorreu vários espaços da cidade numa carrinha/biblioteca criada pela companhia de marionetas Teatro de Ferro para a edição do ano passando, chega agora o segundo momento dedicado aos objetos. A 15, 17, 22 e 24 de novembro nos três novos centros culturais, podemos assistir à peça “A Revolta dos Objetos”, onde através de uma conferência animada assistimos à relação das marionetas com o objeto e como cada um deles tem vida própria.

Manel Cruz, antigo vocalista dos Ornatos Violeta, atua em Miragaia às 21h30 do dia 13 de dezembro, para apresentar o seu novo álbum “Vida Nova”, onde interpreta canções que marcaram os últimos vinte anos de carreira de um artista irreverente, audaz e sem filtros.

O Cinema Insuflável é um dos projetos itinerantes que se mantém nesta edição entre os meses de março e julho. A sala de cinema edificada em apenas 10 minutos, vai passar pelo Parque da Pasteleira, Quinta do Covelo, Praça da República, Jardim da Corujeira, Praça do Marquês de Pombal ou no Parque Oriental da Cidade do Porto e da animação ao documentário, passando pela ficção e pelo cinema experimental, as curtas-metragens são exibidas para crianças dos três aos 12 anos.

Segundo o presidente da autarquia, Rui Moreira, esta edição marca o início e um novo ciclo, uma vez que a iniciativa conta agora “com uma programação mais regular e contínua, atenta a diferentes linguagens artísticas e aos mais diferentes públicos”, organizada uma “matriz tridimensional”. Com um orçamento de cerca de três mil euros, o “Cultura em Expansão” inclui trabalhos de artistas, jovens e veteranos, ligados à musica, dança, teatro, performance e cinema, iniciativas itinerantes, na programação Satélite, mantendo projetos de continuidade. “Vamos trabalhar com estruturas associativas de produção em cada um destes espaços, em Miragaia com a Confederação, em Campanhã com o Visões Úteis e na Pasteleira com o Teatro do Frio”, revela Guilherme Blanc, adjunto da autarquia para a Cultura.

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