Uma busca rápida por #RueCremieux devolve-nos mais de 30 mil resultados, todos eles bem coloridos e pitorescos, como a rua em questão. É um facto que a correnteza de fachadas fica a matar na fotografia e ainda mais na rede social Instagram, que se vai enchendo de poses cândidas e até looks pensados a rigor. Mas quem não está assim tão satisfeito com a invasão de influenciadores e aspirantes a influenciadores são os residentes.

Em cima da mesa está o pedido dos locais para que o arruamento seja apenas acessíveis aos moradores a partir do final do dia, aos fins de semana e durante a chamada hora de ponta dos instagrammers — referem-se à luz mágica associada ao raiar do dia e ao por-do-sol, quando as visitas são mais fortes.

“É um verdadeiro inferno”, desabafou à rádio France Info o presidente da Associação Rue Crémieux, até há pouco tempo uma zona pacata do 12º bairro de Paris, sem circulação de trânsito, e que agora exige uma solução até ao verão.

Alheios ao incómodo de nomes como Antoine, os donos dos smartphones continuam a sua maratona de imagens e elaboradas produções. Há rodagens de viodeclips, poses de ioga, despedidas de solteiro, ou simples postais a ilustrar o conjunto de edifícios, portas e janelas, que em 1996 ganharam este aspeto vibrante, num claro contraste com os tons neutros que marcam os edifícios na capital francesa.

Entretanto, e se não conseguirem afastar as multidões, podem sempre tentar relaxar consultando, ou alimentando, o Club Crémieux, a conta que brinca com as situações mais caricatas dos fotógrafos e fotografados.