Malária

Malária inquieta no distrito moçambicano de Dondo apesar de casos diminuírem

Os casos de malária diminuíram cerca de 24% em 2018, em Dondo, mas doença ainda tem prevalência inquietante. Dondo é o distrito com mais casos na província de Sofala e a maioria acaba em morte.

Muitos dos casos de malária acabam em óbitos por causa da falta de fármacos e também pelo desconhecimento das pessoas quanto ao tratamento

STR/EPA

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  • Agência Lusa

Os casos de malária na cidade moçambicana do Dondo, a segunda maior da província de Sofala, centro do país, diminuíram cerca de 24% em 2018, mas o vereador local revelou esta quinta-feira que a doença continua “a inquietar seriamente”.

“É preciso que se olhe com atenção para a malária, que, em 2018, ainda teve 84.440 casos diagnosticados na cidade de Dondo”, disse Urbano Gil, que falava no Encontro de Promoção e Desenvolvimento Económico de Moçambique, organizado pela Casa de Moçambique em Lisboa, na sede da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).

Urbano Gil referiu que “a queda dos números de casos de malária em Dondo, onde ocorreram 107.903 casos em 2017, não é motivo para que acabe a preocupação, porque ainda existe uma prevalência inquietante”.

Ainda sem registos consolidados de mortes provocadas pelo contágio de malária, doença transmitida pela picada de mosquitos e que causa febre alta e diarreias, o autarca assinalou que os números de que dispõe correspondem apenas à área do município de Dondo, a pouco mais de 30 quilómetros da Beira, capital da Província de Sofala.

“Há casos de contágio em todo o distrito, que é o distrito com mais casos na província de Sofala. Muitos dos casos acabam em óbitos por causa da falta de fármacos e também pelo desconhecimento das pessoas quanto ao tratamento, apesar de campanha de sensibilização”, afirmou.

Outro dos fatores que contribuem para o aumento de casos de malária “é o deficiente saneamento, que se tornou um problema muito grande na cidade e no distrito, que é muito plano, pois há uma ausência de estruturas de saneamento e não se consegue escoar as águas pluviais”.

Num apelo “em jeito de socorro”, Urbano Gil sublinhou que “é preciso atrair investimento”, para que se possa “instalar fábricas, de desinfetantes e de mosquiteiras, para que esta enfermidade não continue a dizimar famílias”.

No ano passado, cerca de um milhão e meio de redes mosquiteiras foram distribuídas na província de Sofala, beneficiando aproximadamente 533 mil famílias.

A malária é responsável por cerca de 60% dos internamentos pediátricos em Moçambique. Das mortes de crianças até aos cinco anos de idade em unidades hospitalares, cerca de 30% dão devidas à malária.

O Encontro de Promoção e Desenvolvimento Económico de Moçambique, com o tema Desenvolvimento, Comunicar, Influenciar e Comunicar, prossegue na quinta-feira e encerra na sexta-feira, com a participação de vários oradores, entre os quais deputados, presidentes de municípios moçambicanos e empresários.

Na quinta-feira, o programa incluiu várias intervenções, entre as quais a do conselheiro económico junto da embaixada de Moçambique e de Espanha, Florêncio Papelo, a de Claire Mateus Zimba, Instituto para a Promoção das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Moçambique, e a do presidente do conselho de administração do Grupo Europeu de Cooperação Económica e Desenvolvimento, Manuel Pereira.

A membro do Conselho Superior de Magistratura Judicial e assistente da comissão parlamentar dos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, Luzia Muete, o presidente honorário do parlamento juvenil de Moçambique, António Muchanga, e o presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes, vão intervir na sexta-feira.

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