A produção de azeitona para azeite deverá registar, este ano, uma quebra que pode superar 20% em algumas regiões, mas na próxima campanha e até 2022 poderá atingir 180 mil toneladas, disse esta quinta-feira a secretária-geral da Casa do Azeite.

“A campanha este ano atrasou muito. A maturação da azeitona foi muito mais tardia e ainda há cerca de um mês havia lagares a laborar. Não sabemos exatamente, mas haverá uma quebra entre 15% e 20% seguramente e, em algumas regiões, poderá ainda ser um bocadinho superior”, disse à Lusa Mariana Matos, que falava à margem da apresentação da 9.ª edição do Concurso Internacional de Azeites Virgem Extra — Prémio Crédito Agrícola Ovibeja.

De acordo com a responsável da Casa do Azeite — Associação do Azeite de Portugal, esta quebra deve-se a “um ano de contrassafra”, depois de, no ano passado, se ter atingido a produção mais alta desde que há registo – cerca de 134 mil toneladas.

“Por outro lado, o rendimento da azeitona em azeite, ou seja, a quantidade de quilos de azeitona que precisamos para extrair um litro de azeite, este ano, também foi bastante inferior ao que se verificou no ano passado. Também tem a ver com as condições climatéricas ao longo da campanha e com uma série de outros fatores que [levaram] ao atraso da maturação”, acrescentou.

Esta quebra vai refletir-se sobretudo na região do Alentejo, que representa quase 80% da produção nacional. Por sua vez, o preço pago ao produtor não sofrerá uma grande alteração, tendo em conta que está condicionado à produção mundial.

Embora em Portugal, com menos produção, “o preço tendesse a subir, na realidade ele está condicionado à produção mundial. Sofrerá alguma evolução quando se tiver o apuramento do que se passou na campanha a nível de todos os países produtores”.

Apesar da quebra prevista para a produção em Portugal, as projeções da Casa do Azeite apontam para que, na próxima campanha, e até 2022 se consiga atingir uma produção entre 160 mil e 180 mil toneladas.

Com atividade desde 1976, a Casa do Azeite é uma associação patronal de direito privado, que representa a quase totalidade das associações de azeite de marca embalado em Portugal.

Segundo as previsões do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas em fevereiro, a produção de azeitona para azeite deverá registar uma quebra de 20%, penalizada pelas condições climatéricas adversas.

Segundo o INE, a colheita da azeitona está “praticamente terminada, confirmando-se um atraso significativo na maturação face ao habitual, efeito das condições meteorológicas adversas, que ocasionaram um início de ciclo demorado e uma suspensão do amadurecimento dos frutos no período das ondas de calor de agosto”.

Por sua vez, “a funda (rendimento da azeitona em azeite), aumentou com o decorrer da colheita, se bem que, previsivelmente, ficará abaixo da alcançada na última campanha”, acrescenta.