António Costa

António Costa: “A festa da revolução de Abril continua a ser bonita, pá”

1.255

O primeiro-ministro deixa um recado crítico às correntes conservadoras: "Para aqueles que pensam que a revolução acabou em 25 de novembro de 1975, digo que a revolução é mesmo inacabada".

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O primeiro-ministro, António Costa, alterou esta sexta-feira a letra de uma das mais famosas canções de Chico Buarque para sustentar que, 45 anos após a revolução de Abril, a festa da democracia continua “bonita” em Portugal.

António Costa falava na Fundação Calouste Gulbenkian, na sessão de abertura de uma conferência promovida pela Associação 25 de Abril que pretende assinalar os 45 anos da revolução democrática no país.

Antes do discurso do líder do executivo, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, numa breve intervenção, citou o cantor brasileiro Chico Buarque — “foi bonita a festa, pá” — para procurar ilustrar alguns dos ideais da “revolução dos cravos” que estarão por cumprir.

O primeiro-ministro respondeu pouco depois.

Quando Vasco Lourenço evoca a canção de que foi bonita a festa pá, há uma coisa que quero garantir: A festa continua a ser bonita, pá”, defende, embora reconhecendo logo a seguir que “os objetivos de Abril estão sempre inacabados” e que as exigências de liberdade, de igualdade e de desenvolvimento “são cada mais profundas”.

Em matéria de desenvolvimento, o primeiro-ministro referiu como uma das principais conquistas a erradicação das barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

“Mas sabe-se que ainda há 26 mil famílias que vivem em condições indignas. Por isso, temos o objetivo de quando chegarmos ao dia 25 de Abril de 2024, com a celebração dos 50 anos da revolução, garantirmos a todas as famílias portuguesas um nível de habitação condigno”, declarou.

Se na intervenção anterior Vasco Lourenço tinha mencionado os progressos registados num país que antes estava “orgulhosamente só” na cena internacional em resultado da guerra colonial e que agora tem um secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o primeiro-ministro preferiu falar sobretudo das limitações aos direitos das mulheres até à revisão do Código Civil de 1977.

António Costa referiu então as profissões vedadas ao acesso das mulheres, como a diplomacia, as Forças Armadas ou a magistratura, mas, também, a desigualdade de direitos existente no casamento.

“É extraordinário tentarmos imaginar o que a sociedade mudou nestes últimos 45 anos”, salientou, após referências a avanços recentes como o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo.

Segundo o primeiro-ministro, no entanto, ainda “há fatores que não mudaram e que têm de mudar” em Portugal.

“Quando nós sabemos que, 45 anos após o 25 de Abril, a diferença salarial entre homens e mulheres, para a mesma função e para o mesmo lugar, ainda é em média de menos de 18% para as mulheres, não podemos estar satisfeitos. Quando nós sabemos que só este ano já houve 12 mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica, temos de dizer que, de facto, não alcançámos aquilo que temos de alcançar”, sustentou.

A desigualdade de género é mesmo o maior fator de desigualdade, porque atravessa metade da humanidade. Os desafios de igualdade salarial, da conciliação da vida familiar com a profissional, e de um maior equilíbrio nas funções de direção nas empresas ou na administração pública ainda os temos de vencer”, apontou.

Neste contexto, António Costa deixou um recado crítico às correntes conservadoras: “Para aqueles que pensam que a revolução acabou em 25 de novembro de 1975, digo que a revolução é mesmo inacabada”.

“Não vou dizer que a revolução continua, porque podia ter conotações ideológicas”, acrescentou, provocando risos na plateia.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Austeridade

Nunca tão poucos enganaram tantos /premium

Rui Ramos
2.381

Em 2016, disseram-nos que a austeridade era uma página, e que estava virada. A austeridade, porém, não é uma página. É um livro inteiro, de que já ninguém lembra o princípio e ninguém sabe o fim.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)