O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou esta sexta-feira que as brasileiras são “joias raras” e que “qualquer celebração deve vir acompanhada de propostas” e respeito pelos “sentimentos da mulher”.

“Infelizmente não depende só de mim para que muitas das pautas já conhecidas avancem. De tudo faremos para que estas joias raras, ao fim dos próximos quatro anos, possam sentir-se mais representadas”, escreveu Bolsonaro na rede social Twitter, ferramenta que ele usa para se comunicar com os brasileiros quase diariamente, assinalando o Dia Internacional da Mulher.

Bolsonaro, considerado machista por um segmento da sociedade e que enfrentou protestos de grupos de mulheres contra a sua candidatura nas eleições presidenciais de 2018, responde num processo judicial em que é acusado de incitar o crime de violação. O processo foi movido pela deputada Maria do Rosário, em 2014, após Bolsonaro declarar que ela não merecia ser violada porque era muito feia.

Este processo foi suspenso em janeiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) porque a Constituição brasileira determina que um chefe de Estado no exercício do cargo só pode responder por crimes cometidos durante o mandato.

O processo poderá ser retomado quando Bolsonaro deixar a presidência do Brasil, o que acontecerá a 1 de janeiro de 2023, desde que ele não seja reeleito por um período de mais quatro anos nas presidenciais de 2022.

A publicação de Bolsonaro no Dia Internacional da Mulher foi acompanhada por um vídeo com uma entrevista da ministra dos Direitos Humanos, da Família e da Mulher, Damares Alves. Nessa entrevista, a ministra lamentou que o Brasil seja “o quinto país do mundo onde mais mulheres são mortas” e que a “cada onze minutos” uma brasileira seja violada.

Damares Alves acrescentou que no Brasil “há falta de respeito pela dignidade da mulher” e considerou que é necessário “reforçar as redes de proteção à mulher”, embora tenha apontado que “uma lei perfeita não é suficiente” se a justiça e os agentes públicos não estão “preparados” para lidar adequadamente com a violência sexista.

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, Bolsonaro deve participar numa cerimónia no Palácio do Planalto (sede da presidência, em Brasília), na qual ele e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, se vão reunir com funcionárias da presidência. Segundo fontes oficiais, no ato, ao qual a imprensa não terá acesso, as trabalhadoras do governo serão homenageadas.