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Direitos das Mulheres

Direitos das mulheres. Catarina Martins diz que ainda é necessário mudar mentalidades

A líder do BE assume ser difícil mudar mentalidades quanto aos direitos das mulheres, mas afirma ser algo que é preciso fazer. O BE mostrou-se em peso na manifestação feminista desta sexta-feira.

A manifestação feminista que se realizou esta sexta-feira juntou alguns milhares de pessoas no Terreiro do Paço, em Lisboa

José Coelho/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considerou esta sexta-feira que ainda é necessário mudar mentalidades em Portugal relativamente aos direitos das mulheres, algo que assume ser difícil de fazer. Catarina Martins marcou presença esta sexta-feira na manifestação feminista que juntou alguns milhares de pessoas no Terreiro do Paço, em Lisboa.

“As mentalidades têm de ser mudadas e é sempre difícil porque a luta pelos direitos da igualdade muitas vezes confronta-nos a nós próprios com comportamentos que são desiguais, que são machistas no quotidiano, e que às vezes até temos dificuldade em aceitar que temos de mudar nós próprios a maneira como agimos”, disse a líder do BE aos jornalistas, momentos antes de o grupo iniciar uma marcha até ao Rossio.

Foram vários os deputados e deputadas do BE que se fizeram representar na manifestação, a par da eurodeputada e cabeça de lista do partido às eleições europeias, Marisa Matias, e do ex-líder e fundador, Francisco Louçã.

Apontando que “Portugal tem leis que são em boa medida algumas das mais importantes, que são progressistas”, Catarina Martins referiu que a prática “ainda não corresponde” àquilo que tem sido “feito do ponto de vista legislativo”.

A coordenadora nacional bloquista advogou, porém, que as lutas pela igualdade são difíceis, mas “quando vencem, ganha toda a gente”, e esta manifestação permitiu notar que “há um país que se levanta a dizer que as mulheres e os homens precisam de ter os mesmos direitos em Portugal”.

“Eu julgo que a violência a que assistimos nas últimas semanas também engrossa esta manifestação, é natural que assim seja, e quer dizer que se responde à violência com coragem de vir para a rua e exigir direitos, e isso é muito importante, nunca se conquistou nada sem luta”, continuou, elencando que “as mulheres sempre lutaram, desde o direito ao voto ao direito a casar e a divorciarem-se, ao direito sobre o seu corpo”.

“Lutamos todos os dias pelo direito a sairmos à rua sem medo, lutamos ainda por salários iguais, porque as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens, lutamos pelos direitos do trabalho, lutamos pela educação”, acrescentou.

Catarina Martins lembrou ainda que o Bloco de Esquerda “nasceu, em boa medida, por causa de movimentos feministas”. Questionada sobre a violência doméstica, a bloquista referiu que o parlamento está a analisar propostas de vários partidos, e que o combate a este flagelo “é um caminho a fazer”.

“O Bloco de Esquerda tem proposto esse caminho há muito tempo, nalgumas coisas fomos avançando, outras têm tardado. O facto de neste momento outros partidos, que tradicionalmente não tinham outras propostas e até não concordaram com elas, estarem a apresentá-las agora, quer dizer que se calhar vamos conseguir dar passos mais decididos, é o que nós esperamos, é por isso que lutamos também”, frisou.

Também presente na manifestação, a eurodeputada Marisa Matias considerou que a luta pelos direitos das mulheres “é uma luta que tem de continuar” e que ainda “há muito por fazer”. A luta é “reconhecer os direitos que foram conquistados, e continuar a lutar para que possa haver mais igualdade”, salientou, acrescentando que “hoje é um dia de luta, é um dia para avançar com estas lutas”.

Também o deputado do PAN, André Silva, esteve no Terreiro do Paço para apoiar as mulheres. Em declarações àgência Lusa, o parlamentar apontou que “as mulheres são o contingente mais desfavorecido relativamente aos homens”, e elencou que “um quarto das mulheres está, de facto, em risco de pobreza, as mulheres ganham menos relativamente aos homens, trabalham mais, têm uma maior carga horária e depois sofrem todo o tipo de violências, nomeadamente a violência dos seus companheiros, com quem partilham uma vida”. “Há aqui uma responsabilidade social e uma responsabilidade também judicial, na forma como olhamos para estas matérias”, rematou.

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