O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau afirmou esta sexta-feira que “estão reunidas as condições logísticas, humanas e financeiras” para que as eleições legislativas “possam ocorrer no dia 10 de março”.

Em conferência de imprensa, José Pedro Sambú explicou que, “neste momento, só podem votar as pessoas inscritas no caderno eleitoral, com cartão de eleitor“, pondo fim a uma polémica sobre a inscrição adicional de nomes no sistema.

A dois dias do ato eleitoral, Sambú admitiu àLusa que “não é fácil gerir um processo eleitoral, sobretudo no contexto da Guiné-Bissau”, um país polarizado por uma crise política que dura há quatro anos e com eleições impostas pela comunidade internacional.

Mas estamos empenhados em conduzir o processo eleitoral num clima de transparência e que sejam eleições justas, livres e transparentes”, acrescentou o dirigente.

“As autoridades nacionais, em colaboração com as forças da Ecomib [Força de Manutenção da Paz na Guiné-Bissau da África Ocidental, financiada pela União Europeia], vão garantir, na sua plenitude, a segurança do processo em toda a extensão do território nacional”, explicou José Pedro Sambú.

No final de fevereiro, o plenário da CNE emitiu uma deliberação que abria a porta à votação de eleitores que não tinham os nomes inscritos nos cadernos, por motivos técnicos. Essa deliberação “foi objeto de interpretações várias e pouco abonatórias para um processo eleitoral, cujos valores de integridade não devem suscitar contenciosos pré-eleitorais”, disse o responsável.

No entanto, no passado dia 6, o mesmo órgão da CNE decidiu circunscrever o direito de voto apenas a quem tem a situação absolutamente normalizada, “em nome dos valores e desígnios de uma eleição livre ordeira, justa, credível e transparente, e na perspetiva de promoção de um ambiente de paz, segurança e estabilidade tão almejados”.

“O ambiente da democracia estruturada faz-se por escolha e só escolhe quem participa através do voto”, disse José Pedro Sambú.

No domingo, concorrem nas eleições legislativas 21 partidos políticos, um ato eleitoral que tenta pôr fim a uma crise política que dura desde 2015, depois de o Presidente, José Mário Vaz, e o líder do maior partido do país se terem incompatibilizado.