Carlos Cuesta tem 23 anos. Nasceu em Palma de Maiorca e tal como grande parte dos miúdos espanhóis (e portugueses), queria ser jogador de futebol. Iniciou o percurso à procura do sonho nas camadas jovens do Santa Catalina Atlético, um clube de bairro da cidade onde vivia, mas só aos 15 anos percebeu que preferia estar fora das quatro linhas, junto do banco técnico, do que propriamente andar a correr atrás da bola. Nessa altura, quando ainda jogava, foi convidado para treinar os benjamins do clube. Aos 18, pendurou definitivamente as botas e foi à procura daquele que era, de facto, o verdadeiro sonho.

Mudou-se para Madrid, inscreveu-se em cursos de inglês, italiano e francês, começou a frequentar o nível 1 do curso de treinador de futebol e matriculou-se na licenciatura de Ciências do Desporto. “Só queria treinar”, garante Carlos ao El País, para depois começar a explicar como conseguiu o primeiro trabalho. Inicialmente, enviou vários textos a Martí Perarnau, um jornalista catalão que é tido como um dos grandes especialistas táticos de Espanha, e acabou por ver essas mesmas páginas serem publicadas na revista The Tactical Room, o projeto editorial de Perarnau. Analisou as movimentações de Varane e Thiago Alcântara, por exemplo, mas depressa percebeu que não poderia continuar a ver futebol apenas pela televisão. Precisava de estar presente no treino, de assistir aos bastidores e de ver o moldar daquilo que depois se revela dentro de campo.

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Una temporada fantástica ⚽️????

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“Comecei a seguir no Twitter todas as pessoas cujos perfis indicavam que podiam ser treinadores no Atl. Madrid ou no Real Madrid. Enviei mensagens a todos. Disse: ‘Se precisavas de alguém que ponha os cones no relvado, estou aqui’. A maioria não disse nada. Até que um respondeu”, recordou Carlos Cuesta, para depois acrescentar que “deve muito ao Twitter” mas também ao Atl. Madrid. Isto porque a resposta que recebeu era do treinador dos benjamins dos colchoneros, que o convidou a visitar as instalações do clube de Madrid e acabou por lhe perguntar se se queria juntar a ele enquanto assistente. Aos 19 anos, tornava-se o treinador mais novo da história do Atl. Madrid e foi assim que permaneceu até deixar o Atleti no passado mês de agosto, já aos 23 anos e enquanto treinador principal dos infantis. “Estarei sempre em dúvida para com o Atleti. É um clube que te envolve. É o clube da minha vida e foi ali que fiquei rodeado de grandes profissionais”, garante Carlos Cuesta.

Em agosto, decidiu sair. Não por ter sido despedido, não por desencanto com o Atl. Madrid, não por não se sentir desafiado. Mas porque precisava de ir à procura de uma nova etapa. “Tudo o que faço é com o objetivo de ser treinador de uma equipa profissional. E o que é que mais me aproxima disso? Estar em contacto com contornos profissionais e poder partilhar a minha visão e as minhas ideias. Quero viajar por diferentes países, contornos, sistemas. Saber adaptar-me. Tento ser um treinador completo. Aprender com todos”, explica Carlos Cuesta, que pegou nas poupanças acumuladas ao longo de quatro anos para correr a Europa à procura de uns minutos com Pep Guardiola, José Mourinho, Jürgen Klopp e todos os outros principais treinadores das equipas que competem na Liga dos Campeões.

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Compartiendo experiencias con leyendas.

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A primeira paragem foi Manchester. Depois de chegar ao contacto de um elemento da equipa técnica de Pep Guardiola nas redes sociais, conseguiu ter acesso a várias sessões de treino do Manchester City. “Nessa visita apercebi-me do quão importante é estar rodeado pelas pessoas adequadas. O Pep tem um staff de grande qualidade, tanto profissional como humana”, destaca o espanhol, que garante ainda que Mikel Arteta, antigo jogador do Arsenal e atual adjunto de Guardiola, “vai ser um grande treinador”.

Depois de ter tentado chegar à fala com José Mourinho através de várias cartas mas nunca ter obtido resposta, Cuesta tem agora na lista os nomes de Roberto Martínez, selecionador belga, Massimiliano Allegri, Thomas Tuchel, Jürgen Klopp e Mauricio Pochettino. “A formação baseia-se na experiência. Trato de investir o meu dinheiro em conhecer pessoas que me possam ajudar a melhorar. O conceito é simples: escutar e melhorar”, explica o jovem espanhol. Carlos Cuesta sonha treinar na Liga dos Campeões e tem a imagem do maior troféu europeu a nível de clubes enquanto fundo do telemóvel. “É uma maneira de me lembrar, sempre que olho para o telemóvel, de que não sei quanto tempo terá de passar, mas vai chegar. Disso estou certo”, afirma. Por agora, corre a Europa atrás dos melhores treinadores do mundo.