Pelo menos cinco pessoas morreram arrastadas pelas águas durante o transbordo do rio Rovubue, que divide as cidades de Tete e a vila de Moatize, no centro de Moçambique, e outros milhares estão desalojados, disse hoje fonte governamental. Até à tarde de sexta-feira, seis pessoas eram dadas como desaparecidas em consequência das inundações, que galgaram tetos de várias habitações nos bairros Azul, Chingozi, Matema e Benga.

“Temos confirmadas cinco vítimas até esta manhã”, disse Lina Portugal, secretária permanente da província de Tete, que descreveu o drama das inundações como “severa preocupante”.

Um trabalho de levantamento das vítimas prossegue nos locais mais afetados, disse Lina Portugual, adiantando que ainda há casas submersas, apesar do volume das águas tender a baixar nas últimas horas. O transbordo do rio Rovubue, na madrugada de sexta-feira, cortou a ligação rodoviária entre Moçambique e Malawi, deixando vários camionistas de longo curso, quer os que vão ao porto da Beira, quer os que saem para o interior, encurralados nas duas margens.

O rio transbordou em consequência de chuvas fortes a montante e as descargas de 3.000 metros cúbicos de água por segundo da barragem da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), inundando casas e estradas, além de sitiar milhares de moradores nas cidades de Tete e Vila de Moatize, que descrevem a situação de “um total caos”.

“Nunca tinha visto algo igual, desde que sou moradora deste bairro há 20 anos” disse à Lusa Madalena Pande, residente em Benga, que escapou às várias horas da fúria das águas no teto da casa. No início da manhã deste sábado, começaram a chegar vários donativos para as vítimas que estão alojadas em escolas locais.