O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou este sábado, durante uma manifestação nacional de mulheres, que o papel delas no acesso aos seus direitos vai ser “decisivo e determinante”, numa luta que se encontra muito atual.

“Aqui há, de facto, a luta comum a travar em torno desta questão das desigualdades e, por isso, saúdo esta manifestação, tendo em conta os objetivos que defende, tendo em conta que isto é uma luta do nosso tempo”, disse o secretário-geral comunista os jornalistas.

O líder do partido considerou que esta luta foi importante no passado, “continua a ser no presente”, e que “ainda falta muito para andar para conseguir esse objetivo da igualdade perante a lei e perante a vida”.

Uma delegação do Partido Comunista esteve hoje na baixa de Lisboa a saudar aqueles que participaram na manifestação nacional de mulheres, organizada pelo Movimento Democrático de Mulheres.

Foram vários milhares de pessoas que se juntaram na Praça dos Restauradores, e marcharam pelas ruas da baixa de Lisboa.

Pelo caminho, Jerónimo de Sousa e o cabeça de lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira, saudaram os participantes e baterem-lhes palmas à sua passagem.

Aos jornalistas, o secretário-geral do PCP mostrou-se convicto de que o legislador não vai “tomar a iniciativa própria por sua autoria”, considerando que “aqui quem vai ter um papel decisivo serão as mulheres e a sua luta, porque ninguém dá nada a ninguém nesta matéria”.

“O legislador vai ser importante, decisivo e determinante vão ser as mulheres, o seu papel e a sua luta”, frisou.

Considerando que existe um “conjunto de lutas contra as desigualdades que continua por finalizar”, Jerónimo defendeu que “o problema muitas vezes não está nas leis”, mas sim “muitas vezes na vida, independentemente de existirem leis nunca são um trabalho acabado e definitivo”.

Para Jerónimo de Sousa, também os homens têm responsabilidade nesta matéria.

“Acho que deve haver também aqui uma responsabilização dos homens numa procura de convergência em relação a questões que estão detetadas, que estão identificadas”, referiu.

Sobre a manifestação em si, o líder do Partido Comunista afirmou ter tido a “convicção de que ia ser uma grande ação, uma grande jornada, tendo em conta [que] as mulheres, particularmente nas empresas, nos locais de trabalho, na sua vida hoje não têm uma posição de conformismo”.

“Hoje são muitas e muitas as mulheres, as jovens que, com uma visão progressista, procuram alcançar – como disse – no trabalho e na vida, esse direito que têm da igualdade e de não serem discriminadas”, vincou.

Apontando que desde a revolução de 25 de Abril de 1974, há 45 anos, “houve avanços significativos”, o comunista salientou que “continua por cumprir muito daquilo que Abril referia e pretendia em relação às mulheres”.

Considerando que também o “combate às desigualdades, às discriminações, à violência” constitui “uma questão importantíssima”, o líder comunista assinalou que o grupo parlamentar do PCP entregou na sexta-feira, na Assembleia da República, “um projeto de lei sobre a questão da violência doméstica”.

“Precisa de facto de haver correções, precisões e até avanços”, salientou, acrescentando que “isto não invalida nem substitui a luta das mulheres pela sua própria emancipação, por um estatuto digno em relação à lei e à vida, particularmente no trabalho”.

Questionado ainda se será uma mulher a próxima pessoa à frente dos destinos do partido, o secretário-geral disse que essa é uma “questão que não está colocada neste momento”.