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Quando as pernas falham, a cabeça é a resposta – isso e aquele corte de Pepe (a crónica do Feirense-FC Porto)

O FC Porto de Sérgio Conceição precisa de disponibilidade física para ser o FC Porto de Sérgio Conceição. Com o Feirense, não teve. Ganhou e teve Pepe como o bom exemplo num jogo mau (2-1).

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Danilo e Pepe marcaram os golos da reviravolta do FC Porto ainda na primeira parte depois de um autogolo de Felipe

AFP/Getty Images

Danilo e Pepe marcaram os golos da reviravolta do FC Porto ainda na primeira parte depois de um autogolo de Felipe

AFP/Getty Images

O triunfo frente à Roma na Liga dos Campeões apenas quatro dias depois da derrota no clássico com o Benfica teve o condão de fazer esquecer por momentos a perda da liderança do Campeonato que os dragões tiveram no passado fim de semana. Todavia, se houve alguém que não esqueceu esse desaire foi Sérgio Conceição, nem tanto pelo resultado mas pelo que se foi dizendo após o 2-1 que tirou muitas jornadas depois os azuis e brancos do primeiro lugar. E o técnico aproveitou uma pergunta sobre as alterações realizadas no último encontro diante dos italianos para rebobinar o filme e deixar uns recados que estavam “presos”.

FC Porto vence Feirense por 2-1 e sobe à liderança do Campeonato (com um jogo a mais)

“Ouvi dizer que mexi mal na equipa… Mas que estupidez é essa, está tudo maluco?”, atirou, antes de explicar que Corona teve de sair porque jogou em sacrifício por causa de um problema no pé e que Soares pediu duas vezes para ser substituído. “Aqui, tudo o que se faz é pensado, não é feito de forma leviana”, acrescentou, retomando o enfoque no clássico e naquilo que faltou para outro resultado que permitisse assegurar ainda agora a liderança da Liga: “Foi a falta de agressividade, foi isso que falhou”. E para que não existissem dúvidas, o onze inicial sem alterações em relação à partida com a Roma explicou tudo o resto.

O cartaz levantado pelos Super Dragões poucos minutos antes do início do FC Porto-Benfica era grande no tamanho mas também na simbologia. Para começar, porque os jogadores escolhidos foram Herrera e Brahimi, ambos em final de contrato com a equipa dos dragões – ou seja, aquilo que há uns anos seria motivos para ostracizar um ativo ganhou nos últimos tempos um significado diferente, talvez na esperança que algum deles possa renovar contrato e permanecer no clube. Depois, porque a figura central da tela era o treinador, Sérgio Conceição – algo que também nem sempre foi assim. A própria cultura enraizada nos azuis e brancos colocou sempre como principal referência Pinto da Costa e, de seguida, os destaques do plantel; treinadores, esses, eram vistos quase como meras peças na engrenagem, exceção feita a José Mourinho e André Villas-Boas nos últimos 15 anos. Mas quer um, quer outro, além do Campeonato, da Taça de Portugal e da Supertaça, venceu também pelo menos uma prova europeia.

A ligação entre Sérgio Conceição e adeptos, triunfo no último Campeonato à parte, tem por base uma espécie de redefinição do que é o verdadeiro ADN FC Porto das últimas décadas que teve na génese José Maria Pedroto. Um ADN que ficou expresso, por exemplo, quando o técnico abordou o facto de não ter cumprimentado João Félix após o clássico. “No final do jogo eu estou preocupado é com os meus jogadores, não com os rivais. Fora das quatro linhas, é outra coisa. Seja o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, o meu filho, é exatamente a mesma coisa, não quero saber. Estou ali para defender o FC Porto e os jogadores do FC Porto, ou tenho de ser hipócrita e dar beijinhos e abraços aos rivais? Não sou hipócrita, sou o que sou, não tenho de ser diferente só para ser simpático para as pessoas. Nunca fui, nunca serei”, disse, acrescentando ainda que o avançado do Benfica até passou férias na sua casa no ano passado, para vincar essa separação de águas entre o que se passa dentro e fora de campo.

Marega, aqui com Vítor Bruno, foi um dos grandes exemplos do desgaste provocado pelo jogo com a Roma (MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images)

No entanto, há uma condição sine qua non para o FC Porto jogar como tanto gosta: a disponibilidade física. Além de ter jogadores altos e fortes, os dragões são melhores e mais agressivos quanto mais soltos estiverem os jogadores. E esse acabou por ser o grande problema dos azuis e brancos: o Feirense teve muito mérito na forma como conseguiu bloquear alguns dos aspetos ofensivos dos visitantes, retirando profundidade e espaço no corredor central (com esta qualidade tática custa perceber como é possível terem uma série no Campeonato de 23 jogos sem vitórias e a contar, que já é a pior de sempre), mas foi a falta de frescura que tirou qualidade à exibição da equipa de Sérgio Conceição. Sem pernas, valeu a cabeça – e um corte de Pepe.

Ficha de jogo

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Feirense-FC Porto, 1-2

25.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Marcolino de Castro, em Santa Maria da Feira

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

Feirense: Caio Secco; Edson Farias, Flávio Ramos, Briseño, Vítor Bruno; Aly Ghazal, Babanco (Edinho, 84′); Luís Machado (Ofori, 70′), Tiago Silva, Sturgeon (Crivelaro, 78′) e João Silva

Suplentes não utilizados: André Moreira, Bruno Nascimento, Tiago Gomes e Marco Soares

Treinador: Filipe Martins

FC Porto: Casillas; Éder Militão, Felipe, Pepe, Alex Telles; Danilo, Herrera; Corona (Wilson Manafá, 85′), Otávio (Óliver Torres, 85′); Marega (Brahimi, 70′) e Soares

Suplentes não utilizados: Vaná, Maxi Pereira, Adrián López e Fernando Andrade

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Felipe (4′, p.b.), Danilo (18′) e Pepe (34′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a João Silva (18′) e Vítor Bruno (34′)

Apesar de ter começado a perder muito cedo, naquele que foi o autogolo mais rápido de sempre em jogos fora para a Primeira Liga, o FC Porto conseguiu a reviravolta ainda na primeira parte aproveitando da melhor forma os erros contrários nas bolas paradas, individuais e posicionais. Depois, o jogo atravessou um período de grande monotonia, dos mais fraquinhos na presente temporada. E foi entre acelerações dos suplentes que foram entrando que apareceu Pepe, que acabado de fazer 36 anos provou como a experiência na colocação em campo consegue disfarçar 210 minutos nas pernas em quatro dias: numa jogada onde Alex Telles demorou a tirar a bola, foi o central que conseguiu tirar de carrinho aquilo que parecia um golo feito de Crivelaro. Claro que, já antes, o internacional português tinha marcado o 2-1, mas foi nesse lance que esteve o seu highlight da noite.

O que aconteceu no arranque da partida foi tudo o que não se esperava no lançamento do encontro: o Feirense, que não ganhava para o Campeonato desde agosto, não só esboçou zonas de pressão alta como teve grande capacidade nas transições, explorando posicionamentos demasiado interiores dos homens mais recuados dos dragões para dar outra largura ao seu jogo. E foi numa dessas jogadas que surgiu o primeiro golo aos quatro minutos, já depois de um aviso de Vítor Bruno: grande passe de Babanco para as costas de Alex Telles, cruzamento rasteiro de Edson Farías e desvio para a própria baliza de Felipe, quando tentava evitar o toque de João Silva. Pouco depois, Casillas evitou com uma defesa apertada o segundo golo de Sturgeon, num lance que começou de novo com um passe na zona lateral de Tiago Silva antes do movimento em diagonal do avançado (10′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Feirense-FC Porto em vídeo]

Até esse momento, o único lance ofensivo de registo do FC Porto tinha sido um remate fraco de Marega, após grande jogada de Corona – um dos melhores no conjunto de Sérgio Conceição, a aproveitar bem os movimentos interiores partindo da esquerda (Otávio ficou na direita). Mais do que as dificuldades em ter jogo ofensivo e ataque organizado, o conjunto azul e branco não conseguia agarrar no meio-campo para dar outro critério na distribuição de jogo e tinha problemas quando as linhas da formação visitada estavam mais juntas. Sem profundidade nem ataque organizado, os dragões foram caçar pelo ar e chegaram ao empate: já depois de uma primeira ameaça de Felipe, Corona marcou um canto na esquerda do ataque e Danilo apareceu mais rápido ao primeiro poste para desviar de cabeça, num espaço que devia ser zona proibida para quem ataca (18′).

O FC Porto crescia e consolidou-se em campo com a obtenção do empate, que deu outro discernimento ao jogo portista. E Felipe não demorou a ameaçar de novo o golo que permitisse uma espécie de redenção pelo lance infeliz logo a abrir o encontro. Mais uma vez, era uma questão de intensidade e agressividade, que voltaram a ser quebradas com nova falha na mesma torre de iluminação que tinha retardado o arranque da partida. Sete minutos depois, a bola voltou a rolar; sete minutos depois do reinício, os dragões conseguiram chegar à reviravolta – e mais uma vez na sequência de um canto, com Pepe a aproveitar uma segunda bola de Alex Telles que ficou presa na área para rematar rasteiro no meio da confusão tirando a bola do raio de ação de Caio Secco (34′). O Feirense, por João Silva, teve uma soberana oportunidade para empatar de novo mas seria o guarda-redes brasileiro, com uma grande intervenção após cabeceamento de Soares, a garantir o 2-1 que se registava ao intervalo.

A segunda parte, depois de um primeiro tempo movimentado e intenso, foi dos 45 minutos mais desinteressantes em jogos do FC Porto na presente temporada: quase sem remates, quase sem oportunidades, quase sem velocidade, quase sem iniciativa. Os visitados queriam alguma coisa mais para chegarem ao empate mas não tinham capacidade técnica e tática para isso; os visitantes queriam alguma coisa mais para marcarem o 3-1 mas não tinham capacidade física para isso. Brahimi e Wilson Manafá, lançados por Sérgio Conceição tal como Óliver Torres, tiveram as únicas iniciativas que levaram algum perigo a uma das balizas mas ambos falharam no último passe e não passaram de boas aproximações. E o argelino, depois daquele corte de Pepe que falámos mais acima nesta crónica, teve uma das grandes chances dos últimos 45 minutos, com um remate fortíssimo de fora da área bem defendido por Caio Secco (90+1′) antes de uma tentativa a rasar o poste de Briseño (90+5′). No entanto, o resultado não mais voltaria a mexer e os dragões voltaram, à condição, ao topo da tabela classificativa após a primeira “final”.

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