A prova dos 50 quilómetros marcha femininos não está na lista para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. A informação chega através da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), que divulgou o quadro com os mínimos olímpicos necessários para ir ao Japão que confirma a exclusão da prova. Na realidade, a competição nunca foi uma prova olímpica.

A atleta mais descontente com esta decisão foi a portuguesa Inês Henriques, a campeã do mundo e da Europa na categoria. Em declarações ao Observador, a marchadora promete “recorrer da decisão”.

Henriques já havia confessado estar à espera do parecer do Comité Olímpico Internacional (COI) sobre a integração dos 50 quilómetros femininos nos Jogos Olímpicos. Era a única peça que faltava, já que a IAAF teria feito chegar a recomendação ao COI. Acontece que a prova foi recusada pelo Comité Internacional. “O que a IAAF alega é que o Comité [Olímpico Internacional] limitou o número de provas e não quer que a IAAF faça mais nenhuma competição”, diz Inês Henriques ao Observador.

Porém, ao que parece houve mesmo lugar para uma prova nova. Na lista divulgada pela IAAF constava uma prova de 4×400 metros mistos, que nunca figurou numa competição internacional. “O que é certo é que estão a introduzir uma prova mista que nunca existiu em grandes campeonatos e não estão a introduzir os 50 quilómetros femininos, que já integram grandes competições”, desabafou.

A prova feminina ficou de fora, mas os 50 quilómetros de marcha masculinos mantêm-se o que, no entender de Inês Henriques, mostra “desigualdade de oportunidades” entre homens e mulheres. “Vai continuar a haver sempre desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Os homens vão poder fazer os 50 quilómetros nos Jogos Olímpicos, uma prova de 60 atletas. Vão haver nos Jogos Olímpicos menos 60 mulheres. Não está correto”.

Ainda assim, Inês Henriques e as restantes atletas prometem lutar para que os 50 quilómetros de marcha femininos figurem nos Jogos Olímpicos de Tóquio. “As mulheres dos 50 quilómetros estão todas com vontade de lutar. Dei autorização ao advogado para recorrer e colocar o meu nome em primeiro lugar”, disse ao Observador.

Esperançosa de que ainda é possível que a prova integre os Jogos Olímpicos, Inês Henriques admite querer despedir-se da competição em beleza. “Queria despedir-me dos Jogos Olímpicos na prova em que sou campeã do mundo e da Europa”.

Inês garante estar concentrada no que falta disputar. “Vou continuar a trabalhar, independentemente de qual seja a decisão final. Este ano estou centrada na Taça da Europa em maio e no Campeonato do Mundo. Não vamos baixar os braços em relação aos Jogos Olímpicos, mas depois do Campeonato do Mundo faço a minha reflexão”.

Entretanto, o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, já reagiu nesta segunda-feira, dizendo que a possibilidade dos 50 quilómetros marcha femininos serem introduzidos como disciplina olímpica em Tóquio2020 “ainda não foi excluída”.