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Jerónimo reafirma que passe social deve ser complementado com “aumento da oferta”

O secretário-geral do PCP frisou ainda que é necessário o "reforço de barcos" e uma aposta na "manutenção e reparação", enquanto não chegam os novos catamarãs.

Já em 14 de fevereiro, Jerónimo de Sousa tinha advertido que a redução de preços nos passes deveria ser acompanhada por mais navios e contratação de trabalhadores

RODRIGO ANTUNES/LUSA

O secretário-geral do PCP viajou esta segunda-feira no transporte fluvial do Tejo, entre Almada e Lisboa, reafirmando que o novo passe social deve ser complementado com o “aumento da oferta” em todos os meios de transporte público.

Medida tomada, decisão acertada, benefício para os utentes, agora é preciso complementar com uma questão importantíssima que é aumentar a oferta. Se as pessoas hoje têm melhores condições para usar o passe intermodal, naturalmente que a oferta tem que aumentar, tem que haver os transportes correspondentes tanto ferroviários, como terrestres ou fluviais, que incorporem e se harmonizem com este avanço”, defendeu Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava aos jornalistas após ter feito a travessia fluvial operada pela Transtejo entre Almada, no distrito de Setúbal, e o Cais do Sodré, em Lisboa, onde realçou que o novo passe social, com preços que não ultrapassam os 40 euros, vai “reforçar o recurso aos transportes públicos”.

Já em 14 de fevereiro, Jerónimo de Sousa tinha advertido, após fazer a ligação fluvial entre o Seixal e o Cais do Sodré, que a redução de preços nos passes deveria ser acompanhada por mais navios e contratação de trabalhadores.

Também esta segunda-feira, apesar de considerar que o aumento da oferta deve ser transversal em todos os transportes, o secretário-geral do PCP frisou que é necessário o “reforço de barcos” e uma aposta na “manutenção e reparação”, enquanto não chegam os novos catamarãs.

“Há um concurso perspetivado, mas ainda distante no tempo. Nós consideramos que a manutenção e reparação são medidas que não resolvem, mas evitam os problemas maiores que têm acontecido na zona dos barcos, em que por vezes chega a estar a circular um ou dois navios, o que é claramente insuficiente”, explicou.

Em fevereiro foi publicado em Diário da República o concurso para a aquisição e manutenção de dez novos navios para a Transtejo, num investimento de 89,9 milhões de euros, dos quais cerca de 57 milhões de euros para a aquisição de barcos e 33 milhões para a manutenção.

Segundo o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, prevê-se que o primeiro catamarã entre em circulação no final do próximo ano, entrega de três navios em 2021 e seis “ao ritmo de dois em cada ano”, ficando o processo concluído em 2024.

A falta de navios e a supressão de ligações são dois dos problemas apontados à Transtejo, contudo, hoje pelas 08h30 a viagem decorreu sem contratempos.

Jerónimo de Sousa aproveitou a visita para sublinhar que o novo passe social tem grande relevância para “centenas de milhares de utentes” e que algumas famílias vão poupar “centenas de euros”.

O passe único entra em vigor a partir de 1 de abril, na Área Metropolitana de Lisboa e deverá custar, no máximo, 40 euros mensais por utente, permitindo que as crianças até aos 12 anos viajem gratuitamente e mantendo os descontos para estudantes, reformados e carenciados.

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