Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela, entregou esta segunda-feira um pedido à Assembleia Nacional para ser decretado o estado de emergência no país. O anúncio foi feito pelo próprio Guaidó através da sua conta oficial no Twitter e surge na sequência dos vários cortes elétricos que têm afetado grande parte da Venezuela desde a passada quinta-feira, dia 7 de março.

“Cumprindo com as minhas competências constitucionais como Presidente, enviei à Assembleia Nacional o pedido para que se decrete o estado de emergência em todo o território nacional devido à tragédia que se vive no país por causa do apagão nacional continuado”, escreveu Guaidó.

O líder do partido da oposição Vontade Popular justifica que o pedido surge conforme o artigo 338.º da Constituição da Venezuela e que toda a situação do apagão “não é produto de nenhuma circunstância natural ou acidental senão consequência lógica da incapacidade e corrupção com a qual se trabalhou a criação e distribuição dos recursos técnicos e económicos requeridos para o desenvolvimento adequado da indústria elétrica”.

O Presidente interino da Venezuela sublinhou ainda que com os cortes elétricos no país “já se contam dezenas de perdas humanas”, considerando que a interrupção do fornecimento elétrico fez com que os equipamentos necessários para preservar as funções vitais dos pacientes nos hospitais tenham deixado de funcionar.

Guaidó atribuiu ainda responsabilidades ao “regime usurpador e os seus antecessores” pelo “desastroso desempenho da indústria elétrica” na Venezuela, ordenando ainda à disponibilidade das Forças Armadas bolivianas “para que forneçam a devida proteção”.

A Venezuela depara-se desde quinta-feira com um “apagão” que afeta quase todo o país, embora a energia já tenha sido parcialmente restabelecida na capital, Caracas. O corte elétrico ocorreu às 17h locais (21h em Lisboa). A Empresa Elétrica Nacional (Corpoelec) reagiu quase de imediato, ao anunciar que a distribuição de energia foi sabotada na instalação de Guri, a mais importante de todo o sistema.

O ministro responsável pela área, Luis Motta Domínguez, assegurou em declarações à televisão estatal VTV que o corte se devia a uma “sabotagem”. O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou o “imperialismo norte-americano” de estar numa “guerra elétrica” contra a Venezuela, e vários outros funcionários também nomearam Washington. Em contrapartida, os especialistas atribuem o fracasso à falta de investimento do Governo na manutenção da infraestrutura.