Zidane está de regresso ao comando técnico do Real Madrid: nove meses depois de ter surpreendido Espanha e o mundo ao, apenas cinco dias depois de se sagrar tricampeão europeu, decidir deixar o clube merengue. Seguiu-se Lopetegui, despedido em outubro; Solari subiu da equipa B à equipa principal e sai agora pela porta pequena. Pelo meio, o Real Madrid já foi eliminado da Liga dos Campeões e da Taça do Rei e está a 12 pontos do Barcelona e da liderança da Liga espanhola. Depois de muito se ter falado da possibilidade de um regresso — mas de José Mourinho –, é Zidane quem volta mesmo a Madrid e ao Santiago Bernabéu para tentar recuperar uma equipa em défice de qualidade, motivação e resultados: e, sobretudo, prepará-la para a próxima temporada, onde a margem de erro será inferior a zero.

“Sei que é um dia especial para todos e estou muito feliz. Isso é o mais importante. Como dizia o presidente, estou muito feliz por voltar a casa. Sei que vão fazer perguntas e não tenho muito mais a dizer que não isso, estou feliz por voltar. Quero trabalhar outra vez e pôr este clube onde ele deve estar. A única coisa que me interessa é começar a trabalhar amanhã”, disse Zidane na conferência de imprensa de apresentação realizada esta segunda-feira no Santiago Bernabéu.

Questionado sobre o que mudou desde o dia 31 de maio, altura em que anunciou que não permaneceria no comando técnico do clube merengue, o técnico francês explicou que acreditava que “o clube e o plantel precisavam de uma mudança depois de ter vencido tudo”. “Naquela altura, era o que pensava. Volto agora porque o presidente me chamou e, como gosto muito do presidente e gosto muito do clube, aqui estou. O mais importante é isso. Depois de nove meses tenho vontade de voltar a treinar. No final da temporada, a mudança era o que era bom para todos”, acrescentou Zidane, que assinou contrato com o Real Madrid por três temporadas e vai voltar a estrear-se já no próximo sábado, contra o Celta Vigo.

“É uma grande responsabilidade. Sabemos que toda a gente que está aqui gosta muito do clube. Sou apenas mais um. Gosto de futebol, gostei com este emblema e esta camisola. Ganhei muitas coisas mas sou apenas mais um neste clube. Não me esqueço de tudo aquilo que ganhámos mas também não me esqueço das coisas que fiz mal. Perdemos a Liga e perdemos a Taça do Rei. Ganhámos a Champions mas sei onde estou e a vida é assim. Há coisas boas e más. Há que aceitá-lo. A minha ambição e o que sinto por este clube não me vão deixar parar. Vou dar tudo aquilo que tenho para voltar a pôr a equipa bem”, explicou o treinador, que falou em espanhol e em francês durante a conferência de imprensa longa e com muitas perguntas, incluindo algumas sobre Cristiano Ronaldo e um eventual regresso do avançado português a Madrid que Zidane desviou ao sublinhar que “este não é o momento” para falar do assunto.

O técnico vincou ainda que se estivesse preocupado com a possibilidade de “estragar a primeira etapa” no Santiago Bernabéu não teria voltado agora e explicou que foi “o coração” a dizer-lhe que se o Real Madrid “chamou, há vontade para ir”. “A vontade é o que me faz estar aqui. Talvez há quatro meses não tivesse sido assim, mas agora tenho vontade. Talvez seja uma questão de momento. Quando me fui embora era o momento necessário para mim e para o balneário e para os jogadores. Eles precisavam. Não era porque me queria ir embora. Achei que depois de dois anos e meio a ganhar quase tudo, tinha de existir uma mudança. Sei como é este clube e sei que nem sempre é fácil mas pensei que essa era a decisão que devia tomar — assim como acho agora. Tive várias propostas mas não quis ir para outra equipa. Quis estar aqui”, garantiu Zidane, que foi associado à Juventus, ao Manchester United e ainda ao Chelsea nas últimas semanas.

O francês com a mulher, Veronique, e Florentino Pérez, na conferência de imprensa desta segunda-feira

Antes ainda de Zidane tomar a palavra, Florentino Pérez falou aos jornalistas presentes na sala de conferências de imprensa do Santiago Bernabéu e reconheceu que o clube “está a atravessar um momento adverso e complexo”. “Sabemos que os adeptos vivem tudo isto com dor. Estes jogadores deram-nos triunfos inolvidáveis. Quatro Champions em cinco anos é quase irrepetível. Para mim é um orgulho”, afirmou o presidente merengue, que agradeceu ainda a Santiago Solari a “dedicação plena e a lealdade ao clube que é a sua casa”, garantindo ainda que o argentino vai ficar ligado ao Real Madrid “se assim o desejar”.

“Estamos aqui para dar as boas vindas ao nosso querido Zidane. A tua paixão pelo Real Madrid volta a unir o teu destino a este clube. Assumes a responsabilidade de ser treinador da nossa equipa num momento de especial dificuldade. Amas este emblema e é por isso que estás aqui hoje. Quando te propusemos o regresso a casa, há cinco dias, mostraste a tua lealdade. O teu compromisso com este clube emociona todos os madridistas. Para nós, chega outra vez ao Real Madrid o melhor treinador do mundo”, acrescentou Florentino Pérez, que contratou pela terceira vez, depois de o ter feito em 2001, ainda enquanto jogador, e em 2016, quando subiu da equipa B à equipa principal para substituir Rafael Benítez.