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Ministra da Cultura diz que polémica com Espanha sobre circum-navegação é “artificial”

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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, considerou que Portugal e Espanha deveriam conjugar esforços contra os populismos, a propósito da "polémica artificial" da viagem de circum-navegação.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

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  • Agência Lusa
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A ministra da Cultura, Graça Fonseca, considerou esta terça-feira que Portugal e Espanha deveriam envidar esforços conjuntos contra os populismos, a propósito da “polémica artificial” relativamente à paternidade da primeira viagem de circum-navegação.

Em causa está um relatório da Real Academia de História (RAH) de Espanha, elaborado a pedido do diário ABC e divulgado no fim de semana, no qual é afirmado que a primeira viagem de circum-navegação da Terra foi um projeto total e exclusivamente espanhol.

Antes desse anúncio, o mesmo jornal tinha avançado que, numa candidatura inicial da rota de Magalhães apresentada por Portugal à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), o Governo português teria apagado o império espanhol da história ao quase não fazer referência ao nome de Sebastião Elcano ou ao papel preponderante de Espanha na realização da viagem.

Durante um almoço de empresários realizado esta terça pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, com a presença da ministra da Cultura, a imprensa espanhola questionou a governante quanto a esta polémica, que envolve a candidatura conjunta, dos dois países, da primeira circum-navegação a património da humanidade da UNESCO.

“Há um percurso conjunto que liga Portugal e Espanha numa evolução política, económica e social, que talvez devesse levar os países a colocar os populismos e nacionalismos de parte e a falar bilateralmente sobre o que deveríamos estar a fazer para o futuro, para que o populismo e os nacionalismos não ganhem terreno”, afirmou Graça Fonseca.

Relativamente ao caso específico, da encomenda do diário conservador ABC, a ministra escusou-se a comentar, afirmando tratar-se de uma “polémica artificial” levantada por um jornal espanhol, numa altura em que “ambos os países estão em campanha eleitoral”.

“Talvez seja altura de discutir a importância das democracias, da comunicação social e das empresas, para que o passado não se repita”, sublinhou.

Fernão de Magalhães, que planeou a viagem que acabou por ser financiada pelo reino de Espanha, não terminou a expedição, uma vez que morreu nas Filipinas, em 1521, aos 41 anos, tendo esta sido concluída pelo navegador espanhol Sebastião Elcano.

Portugal e Espanha estão a organizar inúmeras iniciativas que terão lugar até 2021 para assinalar esta viagem histórica iniciada há 500 anos.

No discurso de abertura do almoço, Graça Fonseca manifestou interesse em que daquele encontro saíssem perguntas, sugestões e contributos para reforçar as relações económicas e culturais entre Portugal e Espanha, no âmbito das relações externas promovidas pelo Governo português, que têm sido uma “aposta central”, a ser “reforçada até ao final do mandato”.

Realçando a importância do Programa da Ação Cultural Externa, a ministra assinalou “dois objetivos fundamentais”: chegar às empresas e às pessoas através da aproximação das culturas, encontrando o que têm em comum, e alargar o mercado, fundamentalmente para Portugal, “país geograficamente pequeno, mas com enorme riqueza cultural”.

“Precisamos abrir outros territórios aos artistas nacionais”, considerou, exemplificando com o caso da Feira Internacional do Livro de Guadalajara de 2018, que teve Portugal como país convidado de honra e, no qual, além de literatura portuguesa, marcaram presença também outras expressões artísticas nacionais, como música e bailado.

Graça Fonseca destacou ainda uma “segunda dimensão” da Ação Cultural Externa, que consiste no “cruzamento entre a economia e a cultura e o “papel fundamental” desta última na “estratégia de crescimento económico dos países”.

Nesse sentido, a ministra lançou um repto às empresas: “Há muitos espaços e equipamentos extraordinários sem programação e há muitas empresas com coleções de arte e bens culturais nem sempre visíveis às pessoas. Podemos fazer um casamento entre quem tem obras de arte e os espaços desaproveitados”.

O outro foco da tutela é o público mais jovem, porque “a cultura, para ser sustentável e contribuir para o crescimento económico, tem que preparar já hoje o público de amanhã — as crianças e os jovens adultos”.

Para tal, a ministra apontou a necessidade de fazer esse “cruzamento”, sugerindo que, através dos trabalhadores das empresas se chegue a esses novos públicos, numa “estratégia conjunta”.

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