O Presidente da República afirmou esta terça-feira que está orgulhoso do desempenho dos militares portugueses que estiveram em missão na República Centro-Africana (RCA), salientando que acompanhou sempre as operações que decorreram no terreno.

Orgulho é a palavra que nos ocorre. O orgulho com que acompanhávamos meses e meses do vosso heroísmo na República Centro-Africana. Orgulho com que telefonei, pessoalmente, e não foram uma, duas ou três vezes, ao tenente coronel Fontoura, em plenas operações, dia e noite, para dizer que os acompanhávamos”, afirmou o Comandante Supremo das Forças Armas, que marcou presença na chegada do 4.ª Força Nacional Destacada na República Centro-Africana, no aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa.

A presença de Marcelo Rebelo de Sousa foi a surpresa que estava guardada para os 180 militares que chegaram esta terça-feira a Portugal, depois de cerca de seis meses de missão na RCA.

“Orgulho com que ouvi nos dias 10 e 11 de novembro, em Paris, o Presidente da RCA, em frente a dezenas de chefes de Estado, elogiar a presença portuguesa, que era única, singular, irrepetível e insubstituível”, frisou o Presidente da República.

Perante os muitos familiares que aguardavam os militares, Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta força um exemplo.

“Orgulho de ser Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas com uma Força Nacional Destacada como a vossa. É um orgulho para Portugal e Portugal nunca os esquecerá”, concluiu.

Já o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, também presente na cerimónia, deu aos militares as “boas-vindas a solo português”.

Bem-vindos a casa, bem-vindos de regresso às vossas famílias, aos vossos amigos que vos aguardam ansiosamente”, afirmou, para acrescentar: “O ministro da Defesa Nacional não poderia deixar de estar aqui presente e dizer a cada um de vós (…) o quanto nos honra a todos a prestação que este contingente teve ao longo destes seis meses”.

Para João Gomes Cravinho, foi uma prestação de “grande coragem”.

“Enquanto ministro da Defesa Nacional foi por vezes com alguma apreensão, mas foi sobretudo com grande confiança e com muito orgulho que segui as notícias que foram chegando da vossa difícil missão”, referiu.

“Tenho plena consciência que houve momentos de grande intensidade, de enorme dureza. O regresso ileso de todos os membros da 4.ª Força nacional destacada na República Centro-Africana é uma prova cabal” da “capacidade operacional” dos efetivos nacionais e da “bravura e rigor” com que superam as adversidades, frisou.

O governante destacou ainda os “elogios rasgados” ao desempenho dos militares portugueses que lhe foram chegando, incluindo das Nações Unidas, de quanto as forças portuguesas contribuíram para forçar as partes da RCA a sentarem-se à mesa das negociações.

Os militares portugueses da 4.ª Força Nacional Destacada na RCA regressaram hoje a Portugal com mais de 70 horas de combates de “alta intensidade” com grupos armados.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

A 4.ª Força Nacional Destacada, composta por 180 militares (177 do Exército e três da Força Aérea), estava na missão como Força de Reação Rápida. Outros seis militares do Exército português estão integrados no comando da missão.

A força que regressou é composta, na sua maioria, por Paraquedistas do 2.º Batalhão de Infantaria Paraquedista de Aveiro.

“Do empenhamento da Força Nacional Destacada que agora regressa, destaca-se a realização de duas operações militares de grande envergadura, conduzidas sob égide das Nações Unidas, que implicou a projeção durante 65 dias dos militares portugueses para Bambari, região situada a 400 quilómetros da capital Bangui”, referiu o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), em comunicado.

Das operações realizadas resultaram onze ações de contacto com grupos armados, sendo que cinco tiveram origem em “ações de combate planeadas e executadas pelos capacetes azuis portugueses” para proteger civis inocentes, bem como para repelir os grupos armados da cidade de Bambari.

“Os restantes incidentes foram resultado de reações a flagelações ou emboscadas. No final foram contabilizadas mais de 70 horas em ações de combate de alta intensidade”, acrescentou.

Na manhã de segunda-feira partiu para a RCA a quinta Força Nacional Destacada, que também será a Força de Reação Rápida da MINUSCA no país, com a missão de apoio à paz em qualquer região do país, com o objetivo de contribuir para a estabilização, segurança e controlo do território.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O Governo controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Em 6 de fevereiro, foi assinado em Bangui um acordo de paz entre o Governo e 14 milícias.