“Não estou muito entusiasmada. Sinto que vem aí qualquer coisa má, mas não sei o quê”. A mensagem foi enviada por Carol Karanja para a irmã, pelo Whatsapp, uma semana antes da viagem que ia fazer com a mãe e os três filhos para visitar a sua terra natal. Carol vivia no Canadá e viajava para o Quénia, a bordo do avião da Ethiopian Airlines que se despenhou este domingo, para visitar a família e apresentar a filha mais nova, de 9 meses, Rubi. A premonição que chegou por mensagem deixou a irmã, Kelly, preocupada, perguntando-lhe em que dia chegava. 10, respondeu Carol que ainda havia de enviar outra mensagem preocupada ao pai, dias depois.

Antes de entrar no voo fatídico, a queniana também tinha enviado uma mensagem ao pai. “No dia anterior ao voo, a minha filha mandou-me uma mensagem e disse que não estava entusiasmada. ‘Eu não sei o que se passa, pai. Estou com medo e não sei porquê’. Ela tinha medos”, contou o pai à CNN dizendo que, por isso mesmo, desvalorizou o receio da filha.

“Ela era telepática”, conta a irmã de Carol que a descreve como uma pessoa muito espiritual e que “unia a família”. Estava a viajar com a mãe, Ann Wangui Karanja, e os três filhos: Ryan Njoroge, de 7, Kellie Pauls, 4 anos, e Rubi Pauls.

A última mensagem que colocou nas redes sociais foi precisamente sobre a viagem longa que ia fazer de avião com as crianças. Carol estava preocupada com a filha mais nova e a sua alimentação durante o voo: “Ela é exigente quando tem fome e amamentá-la não é suficiente. Come mais do que a minha filha de quatro anos: o que posso levar para ela?”, perguntava aos amigos nas redes sociais.

Um dos irmãos de Carol também comenta a discussão que a queda do boeing 737 MAX 8 em que morreram 157 pessoas de 35 nacionalidades veio abrir sobre a segurança destes aparelhos e sobre a responsabilidade do acidente de domingo. A família que manter-se afastada dessa discussão. “Se estivermos à procura de culpar os outros, o processo de cura vai tornar-se mais difícil”, disse à CNN Quindos Mwangi Karanja que prefere aguardar pelos resultados das investigações.

A Boeing recomendou a “suspensão temporária das operações de toda a frota global dos aviões 737 Max”, depois de o Canadá, a Austrália, os Estados Unidos e a União Europeia, para além de outros países,  terem decretado a suspensão destes aviões no seu espaço aéreo. Em cinco meses, o 737 MAX 8 da Boeing já esteve em dois desastres aéreos.