Liga dos Campeões

As três coisas que mudaram desde que o Liverpool goleou o FC Porto há um ano

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Cerca de um ano depois, a sorte volta a ditar que o FC Porto e Liverpool se encontrem na Liga dos Campeões: desta vez nos quartos de final. Na equipa de Jürgen Klopp, existem três mudanças a destacar.

Sadio Mané assinou um hat-trick no Dragão na temporada passada e leva já 16 golos na Premier League

Getty Images

O sorteio ditou que o FC Porto vai novamente encontrar o Liverpool na Liga dos Campeões: sensivelmente um ano depois de portugueses e ingleses se terem encontrado nos oitavos de final da competição. Na altura, em fevereiro de 2018, o Liverpool de Jürgen Klopp veio ao Dragão golear por 5-0 e impor a pior derrota caseira da história do FC Porto, concedendo depois um empate sem golos em Anfield Road que só serviu para confirmar o apuramento para a fase seguinte. Os dragões disseram adeus à Europa; os reds seguiram em frente, eliminaram o Manchester City nos quartos de final, a Roma nas meias e só caíram na final frente ao Real Madrid de Ronaldo e Zidane.

Desta vez, o encontro acontece já nos quartos de final. O Liverpool deixou para trás os alemães do Bayern ao ganhar em Munique por 1-3 e o FC Porto deu à volta à eliminatória em casa depois de ter perdido com a Roma em Itália na primeira mão. O segundo classificado da Premier League encontra o segundo classificado da Primeira Liga (ainda que em igualdade pontual com o primeiro) pouco mais de um ano depois e seria fácil e lógico perspetivar que o resultado da eliminatória será parecido com o de 2018: mas passou um ano e muita coisa mudou. Num plano mais fechado, mudaram três coisas. Que beneficiam em tudo o FC Porto.

Há um ano, o Liverpool não lutava pela conquista da Premier League

Em fevereiro do ano passado, o Liverpool estava já realisticamente arredado da conquista da Premier League. No final da temporada, os reds acabaram por ficar no quarto lugar, a 25 pontos do campeão Manchester City e ainda atrás de Manchester United e Tottenham, garantindo a presença na Champions desta época ao terminar com mais cinco pontos do que o Chelsea. Um ano depois, o panorama é distinto.

Em dezembro, o Liverpool aproveitou um mau momento do Manchester City para subir à liderança na 16.ª jornada. Chegou a cavar um fosso de sete pontos de diferença e manteve-se à frente da equipa de Bernardo Silva até ao início deste mês de março, altura em que somou o quarto empate em seis jogos (West Ham, Bayern Munique, Manchester United e Everton) e permitiu a subida dos citizens ao topo da classificação. Neste momento, City e Liverpool estão separados por apenas um ponto e já não existe confronto direto mas, e até ao final da temporada, o conjunto orientado por Jürgen Klopp ainda recebe o Tottenham, o Chelsea e o Wolverhampton, três equipas que estão nos primeiros sete lugares da tabela.

Significa isto que, e ao contrário do que aconteceu na temporada passada, o Liverpool não tem todas as atenções centradas na Liga dos Campeões. A conquista da Premier League, título que escapa desde 1989/90 — uns muito longos quase 30 anos –, é finalmente um objetivo possível e palpável que se pode tornar realidade já no final de maio. É difícil interpretar quais serão as prioridades do Liverpool e o que será mais importante para os adeptos, para a direção e para o clube (se a conquista europeia que traria de volta a glória do século XX se a conquista interna que recolocaria a equipa ao lado de City, United, Chelsea e Arsenal), mas a verdade é que Jürgen Klopp tem bem mais para pesar nos pratos da balança do que tinha há um ano, quando visitou o Estádio do Dragão.

Há um ano, Salah era muito mais influente

O avançado egípcio foi a revelação e um dos jogadores em destaque na temporada 2017/18. Aos 32 golos marcados na Premier League, Salah juntou outros dez na Liga dos Campeões (só suplantados pelos 15 de Cristiano Ronaldo) e foi a figura de proa da campanha europeia do Liverpool que só não terminou com a conquista do troféu porque na final de Kiev também estava um Real Madrid que não deixou escapar a terceira Champions consecutiva. Nessa final, porém, Salah acabou por sair lesionado logo à meia hora de jogo — no seguimento de um lance com Sergio Ramos que fez correr muita tinta –, esteve em dúvida para o Mundial mas acabou por integrar a comitiva egípcia que ficou no último lugar do Grupo A e esta temporada ainda não conseguiu voltar ao pico de forma em que estava há um ano, quando veio ao Dragão marcar um golo, ver Mané assinar um hat-trick e ainda aplaudir a finalização de Roberto Firmino.

Atualmente, Salah leva 17 golos na Premier League (e outros três na Liga dos Campeões), apenas menos um do que Sergio Agüero, que lidera o ranking, e os mesmos que Harry Kane e Aubameyang. Mas existe um pormenor que faz toda a diferença e que deixa em evidência a quebra de rendimento do avançado: da lista dos atuais 25 melhores marcadores da Liga inglesa, Salah é de longe aquele que soma mais minutos que em campo. Numa comparação rápida e restrita, o egípcio do Liverpool tem mais 600 minutos de jogo jogado do que Agüero, que tem mais um golo, e mais 350 do que Aubameyang, que tem apenas menos um.

Mesmo com a assistência para o último golo da vitória em Munique, Salah passou ao lado do jogo durante grande parte do tempo, leva já seis jogos seguidos sem marcar e mostra-se progressivamente menos entrosado com Firmino e Mané, tirando preponderância ao tridente ofensivo que destroçou o FC Porto em fevereiro do ano passado. De forma concomitante, Mané ganha cada vez mais força na toada atacante do Liverpool e tem sido, desde o início da temporada, a principal figura dos reds.

Há um ano, o guarda-redes era Karius e Van Dijk ainda não era indiscutível

Parece difícil mas a verdade é que a equipa do Liverpool tornou-se mais forte em mais do que um setor desde há um ano para cá. À cabeça, a baliza: o guarda-redes titular era Loris Karius, o alemão que se tornou protagonista pelos piores motivos na final de Kiev e que foi entretanto emprestado ao Besiktas (onde as coisas também não estão a correr da melhor forma). Um ano depois, o dono da baliza é o brasileiro Alisson, contratado à Roma durante o verão por mais de 72 milhões de euros, valor que o tornou o guarda-redes mais caro da história — mas apenas durante quatro semanas, já que o Chelsea pagou 80 milhões ao Athl. Bilbao por Kepa.

Um pouco mais à frente, o eixo da defesa. Há um ano, Virgil Van Dijk tinha chegado a Liverpool há pouco mais de um mês, depois de se tornar o defesa mais caro da história, e estava ainda a ganhar espaço. O holandês foi até suplente não utilizado na segunda mão da eliminatória com o FC Porto, em Anfield Road, e não se tinha ainda tornado indiscutível para Jürgen Klopp. Atualmente, Van Dijk já utiliza a braçadeira de capitão de forma regular, é titular inequívoco no centro da defesa do Liverpool e um dos líderes da equipa — apesar de esta ser ainda a primeira temporada completa que realiza com os reds.

Contra o Bayern Munique, na passada terça-feira, Van Dijk estreou-se a marcar na Liga dos Campeões e ainda assistiu Sadio Mané para o primeiro golo do senegalês, algo que um jogador do Liverpool não fazia nas competições europeias desde 2007, por intermédio de Craig Bellamy. Ainda que Alisson e Van Dijk sejam as principais diferenças face à equipa que há um ano goleou o FC Porto no Dragão, a verdade é que o Liverpool também se reforçou com os médios Naby Keita e Fabinho e ainda com o avançado suíço Shaqiri. Os três, face à alta rotatividade imposta por Klopp, começam várias vezes no banco de suplentes mas são de forma frequentemente e constante alguns dos elementos mais influentes dos vice-campeões europeus.

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