É inevitável falar do encontro entre Benfica e Eintracht Frankfurt nos quartos de final da Liga Europa sem mencionar Luka Jovic. O avançado sérvio poderia ser uma nota de rodapé, pelo simples facto de ter passado pelos encarnados e integrar agora o plantel da equipa alemã; poderia ter direito a um parágrafo, caso fosse habitualmente titular; poderia até motivar algum destaque, caso tivesse marcado alguns golos na Bundesliga. Mas o avançado de 21 merece a nota de rodapé, o parágrafo e todo o destaque. Afinal, é o segundo melhor marcador da Liga alemã, apenas atrás de Lewandowski, marcou o golo que valeu o apuramento para os quartos da Liga Europa e é um dos alvos de Barcelona e Real Madrid no mercado de verão.

Depois de 18 jogos pela equipa B do Benfica, marcando quatro golos, e apenas três pela equipa principal – sempre enquanto substituto utilizado, o avançado foi emprestado aos alemães no verão de 2017 e o Eintracht já terá entretanto comunicado ao Benfica que quer acionar a cláusula de opção de compra prevista no acordo. Jovic chegou à Alemanha numa altura em que ainda era Niko Kovac, atual treinador do Bayern Munique, a orientar a equipa de Frankfurt, e reforçou um núcleo balcânico que é em larga escala a explicação para o sucesso recente do Eintracht: a Jovic, sérvio, juntava-se o colega de equipa Mijat Gacinovic, os irmãos croatas Niko e Robert Kovac, respetivamente treinador principal e adjunto, e ainda o diretor desportivo Fredi Bobic, alemão de ascendência croata e eslovena. A falar a mesma língua, a colocar em prática um futebol que lhes era familiar, os elementos do Eintracht Frankfurt com ligações à península balcânica criaram no clube alemão um autêntica fraternidade que permite à equipa ombrear agora com Arsenal, Nápoles, Chelsea e companhia na Liga Europa.

O Eintracht está atualmente no quinto lugar da Bundesliga, uma posição que permite o acesso direto à Liga Europa da próxima temporada. Ainda assim, a equipa de Adi Hütter, o austríaco que substituiu Kovac quando este substituiu Heynckes no Bayern, tem possibilidades de sonhar com o acesso à Liga dos Campeões, já que está a apenas três pontos do Borussia Mönchengladbach e do RB Leipzig. Na Liga Europa, o Eintracht permanece invicto, com oito vitórias e dois empates, e este é já o melhor registo de uma equipa alemã na segunda competição mais importante da UEFA.

No plantel do Eintracht Frankfurt, além de Luka Jovic, destaque ainda para o português Gonçalo Paciência, que ficou a saber que irá regressar a Portugal para defrontar o Benfica apenas duas semanas depois de se ter estreado a marcar na Bundesliga (num golo que valeu a vitória frente ao Hoffenheim). O avançado português, que entretanto voltou a marcar na semana passada contra o Fortuna Düsseldorf, tem ainda como colegas de equipa o cabo-verdiano naturalizado suíço Gelson Fernandes, o avançado croata Ante Rebic, que esteve na final do Mundial 2018 ao lado de Modric e companhia, e também o jovem avançado francês Sébastien Haller, tido como um dos grandes talentos da seleção francesa nos próximos anos.

Para chegar aos quartos de final da Liga Europa, o Eintracht venceu o Grupo H (onde também estavam a Lazio de Roma, o Marselha e o Shakhtar Donetsk de Paulo Fonseca) e eliminou o Inter Milão nos oitavos de final, com um empate sem golos na Alemanha e uma vitória pela margem mínima em San Siro. Esta será apenas a segunda vez que a equipa de Frankfurt defronta um conjunto português: a primeira, em 2013/14, terminou com a vitória do FC Porto nos 16 avos de final e a eliminação dos alemães da Liga Europa — os dragões acabaram por cair nos quartos de final aos pés do Sevilha, que depois venceu o Benfica na final.

O sorteio ditou que o Benfica vai encontrar uma equipa que se encontrava num setor de dificuldade dito intermédio — depois de Nápoles, Chelsea e Arsenal mas antes de Slavia Praga e Villarreal. O Eintracht Frankfurt já não está na Taça da Alemanha e os objetivos internos estão atualmente restritos à tentativa de chegar aos lugares que dão acesso à Champions. Assim sendo, o foco da equipa de Jovic e Paciência está agora quase totalmente apontado à Liga Europa e à quimera de uma final europeia que escapa desde 1980, ano em que o Eintracht bateu na final o Borussia Mönchengladbach e conquistou a então Taça UEFA. Prova disso é o facto de, duas horas após o sorteio, o clube ter anunciado que os bilhetes para a receção ao Benfica já estão esgotados.