Literatura

Festival literário de Macau arranca com poesia de Sophia de Mello Breyner declamada em três línguas

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Os poemas foram declamados em português, mas também em mandarim e inglês. Miguel Sousa Tavares esteve presente e falou da ligação da sua mãe ao escritor Fernando Pessoa.

MANUEL MOURA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O festival literário de Macau, dedicado este ano à poesia, arrancou esta sexta-feira com uma sessão de homenagem a Sophia de Mello Breyner, com alguns dos seus poemas declamados em português, língua mãe, mas também em chinês e inglês. Já na oitava edição, o Rota das Letras estreou-se na zona oeste da cidade, nas Oficinas Navais, que encheram após a cerimónia de inauguração para um painel subordinado ao percurso literário de Sophia, do qual fez parte o seu filho Miguel Sousa Tavares. Pela primeira vez em Macau, o jornalista e escritor debruçou-se sobre a ligação da poetisa a Fernando Pessoa, cuja influência na escrita da mãe foi apenas notável numa idade mais avançada, depois de várias viagens à Grécia.

“A ligação da minha mãe ao Pessoa intriga-me muitíssimo porque está muito ligada à Grécia”, um país que já foi uma descoberta “relativamente tardia”, admitiu o escritor, que ainda assim considera a personalidade dos dois poetas “incrivelmente distintas”. Depois de Miguel Sousa Tavares declamar alguns poemas da mãe, cujo centenário se comemora este ano, ouviu-se Sophia em chinês, na voz do professor Yao Feng, e em inglês, por David Brookshaw, tradutor de várias obras de escritores lusófonos, ambos com uma ligação próxima à obra da poetisa.

Numa intervenção, o jornalista português lamentou o facto de Portugal ser um país com autores “muito pouco traduzidos”, apesar de o paradigma estar a mudar com a nova geração de escritores, esta sexta-feira “mais exportados”. “Os portugueses vêm no final da lista (…) É muito difícil recuperar isso, só com grandes apoios governamentais (…) é uma questão de grande investimento e não só”, considerou, sublinhando que tradução de poesia “é ainda mais díficil”.

Entre escritores, editores, cineastas e músicos, são 40 os autores internacionais, do espaço lusófono e chinês, a marcar presença na oitava edição do das Letras, que se estende até dia 24 em vários pontos da cidade. Este ano, a poesia surge como “tema central”, uma vez que há uma “série de datas marcantes” que a organização “não queria deixar de assinalar”, disse à Lusa o diretor do festival, Ricardo Pinto.

Além do centenário de Sophia, Jorge de Sena e José ‘Adé’ dos Santos Ferreira [poeta macaense], também se comemora o 200.º aniversário nascimento do Walt Whitman e Herman Melville [autores norte-americanos]. Outros destaques do festival recaem no espetáculo de Pedro Lamares “Ode Marítima”, baseado no poema homónimo de Álvaro de Campos, e na presença de José Luís Peixoto, que vai lançar a tradução para português de uma obra do poeta chinês Jidi Magia.

No campo da música, as atenções voltam-se para Salvador Sobral, vencedor do Festival Eurovisão da Canção em 2017, que vai atuar pela primeira vez em Macau, num concerto este domingo, 17 de março. Dos países de língua portuguesa são ainda esperados José Luís Tavares (Cabo Verde), Hirondina Joshua (Moçambique), Gisela Casimiro (Guiné-Bissau) e Eduardo Pacheco (Angola), entre outros.

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