O futebol é e continuará a ser visto pelos principais clubes nacionais como a mola real que sustenta tudo o resto – e por resto entenda-se modalidades. Pela visibilidade, pelos patrocínios, pelos prémios financeiros. Já agora, pelo ambiente que consegue criar de forma indireta simplesmente por ser dia de futebol. Mais logo, o FC Porto recebe o Marítimo; antes, foi a vez da equipa de hóquei em patins defrontar o Sporting. Em condições normais, mesmo sem futebol, o Dragão Caixa estaria cheio; assim, ganhou um entusiasmo ainda maior, que criou um ambiente fantástico. Nesse particular, o clássico que terá muita importância no final do Campeonato quando estamos a seis jornadas do final da prova voltou a ser um importante hino à modalidade.

Sporting vence FC Porto e sobe à liderança isolada do Campeonato de hóquei em patins

Depois do empate entre Oliveirense e Sporting em Oliveira de Azeméis (4-4) e do triunfo do FC Porto na receção à Oliveirense no Dragão, o clássico fechava o ciclo de encontros entre candidatos ao título quando dragões e leões somavam o mesmo número de pontos, então com vantagem no confronto direto para os lisboetas. É certo que existem sempre surpresas, bastando recordar que recentemente o FC Porto perdeu em Tomar ou que, no final da primeira volta, o Sporting foi derrotado em casa pelo Paço de Arcos, mas quem saísse na frente desta jornada dava um passo importante rumo ao título. E os azuis e brancos deram razão à frase que leem sempre que saem dos balneários do Dragão Caixa para o rinque (“Fortes em todo o lado, irredutíveis em casa”), ganhando por 3-1 num golo com muita emoção onde os postes foram adiando o triunfo portista.

Os dragões começaram melhor, aos 30 segundos já estavam a criar perigo junto da baliza de Ângelo Girão (e foram os leões que até saíram com a bola, tendo perdido quase de imediato) e pouco depois Rafa acertava no poste. Aquele era o tipo de jogo que os comandados de Guillem Cabestany mais queriam, em transições rápidas, mas com o tempo o Sporting ficou mais equilibrado, conseguiu mais e melhor bola em ataques organizados e ameaçou também a baliza de Nelson Filipe, com duas grandes defesas a remates de Ferrant Font e Toni Pérez. Pelo meio, Rafa voltou a acertar no poste da baliza verde e branca.

A primeira parte foi intensa, bem disputada, com ligeira vantagem dos azuis e brancos nos remates e nas iniciativas ofensivas mas com oportunidades repartidas e momentos de jogo alternados. Tudo sob grande correção entre jogadores (afinal, quase todos se conhecem há muitos anos), à exceção de um lance onde Gonçalo Alves foi carregado por Henrique Magalhães, Poka empurrou Ferrant Font, Reinaldo Garcia acabou por cair embrulhado com o espanhol e Matias Platero ainda lá foi juntar-se ao molho de jogadores que por ali andava. As coisas acalmaram no rinque, continuaram acesas nas bancadas (teve de haver reforço policial para separar adeptos dos dois conjuntos) e o descanso chegou mesmo sem golos.

No segundo tempo, com Raúl Marin e Gonzalo Romero de início ao contrário do que aconteceu na metade inicial, a organização defensiva do Sporting conseguiu não só anular os grandes focos de perigo do FC Porto como possibilitar boas saídas para a frente que encontravam sempre Nelson Filipe como barreira intransponível. Curiosamente, da melhor oportunidade dos azuis e brancos até esse momento nasceu a hipótese mais flagrante para os visitantes: Reinaldo Garcia acertou no poste, Rafa fez falta sobre Matías Platero mas Ferrant Font não conseguiu transformar o livre direto após a décima falta (8′). Pouco depois, de novo as bolas paradas mas com protagonistas diferentes: após duas faltas de Pedro Gil na área, Gonçalo Alves começou por atirar a primeira tentativa ao poste (10′) mas não perdoou na segunda, inaugurando o marcador a 13 minutos e meio do final. A vantagem não aumentou logo a seguir porque Hélder Nunes atirou um livre direto… ao poste (13′).

O Sporting tentava arriscar mas, quando mais precisava, menor discernimento teve no ataque (organizado ou rápido) e foi mesmo o FC Porto a aumentar a vantagem numa saída 3×2 que terminou com a assistência de Hélder Nunes para Poka, jogador que tinha passado os últimos anos em Alvalade, fazer o 2-0 com um remate rasteiro e colocado (19′). No mesmo minuto, e depois da 15.ª falta dos visitados, Ferrant Font voltou a não conseguir superar Nelson Filipe num livre direto mas os comandados de Paulo Freitas conseguiriam reduzir quando menos se esperava: em under play por azul a Font, Hélder Nunes falhou um livre direto (defesa de Ângelo Girão) e Gonzalo Romero assistiu Matías Platero para o 2-1 sozinho na área (20′). Os leões não sofreram até ficarem completos mas também não marcaram mais apesar de um remate ao poste de Pedro Gil no último minuto antes de Reinaldo Garcia, nos últimos segundos, fazer o 3-1 final quando o Sporting jogava sem guarda-redes.