Bruno Lage chegou ao comando técnico da equipa principal do Benfica logo nos primeiros dias de janeiro, depois de os encarnados, ainda sob a orientação de Rui Vitória, perderem por 2-0 com o Portimonense. Desde aí, mais do que vitórias, o Benfica somou objetivos cumpridos. O objetivo de chegar ao topo da classificação, o objetivo de chegar o mais longe possível nas competições europeias, o objetivo de estar em três frentes no final de março.

Este domingo, no terreno do Moreirense, o Benfica voltou a golear, recuperou o sabor da vitória depois da escorregadela frente ao Belenenses SAD e segurou a liderança da Primeira Liga mesmo sob pressão do FC Porto. Com o 0-4 imposto à equipa de Moreira de Cónegos, Bruno Lage somou a quinta goleada em apenas 48 dias, menos de dois meses: Boavista (5-1), Nacional (10-0), Desp. Aves (0-3), Desp. Chaves (4-0) e Moreirense (0-4). Com o treinador português, os encarnados assumiram o papel de melhor ataque da Liga e levam 10 vitórias em 11 jogos e 39 golos marcados contra apenas oito sofridos.

Contra o Moreirense, o Benfica conseguiu ainda um feito assinalável e que é cada vez mais recorrente: marcou quatro golos por intermédio de quatro jogadores diferentes e acrescentou números aos já gordos registos de Rafa e João Félix, deu o segundo golo consecutivo a Samaris e ainda ofereceu a estreia a marcar ao jovem Florentino Luís. Félix já é o quarto jogador mais novo jogador do Benfica a chegar aos 10 golos na Liga e Rafa leva cinco golos nas últimas seis jornadas: factos que não vivem sem as 14 assistências de Pizzi, recordista no Campeonato português.

O Benfica somou a sexta vitória consecutiva em jogos fora para a Primeira Liga (pela quinta vez no século XXI), todas desde que Bruno Lage substituiu Rui Vitória, e pode agora perseguir um recorde que dura desde 2015/16: nessa temporada, o Benfica chegou aos onze resultados positivos seguidos em jogos fora. Na conferência de imprensa já depois do final do jogo, o treinador encarnado garantiu que a equipa fez aquilo que ele próprio havia idealizado na antevisão. “Tínhamos de fazer um grande jogo, estar no nosso melhor e foi isso que aconteceu. Jogámos contra uma grande equipa, que nos criou vários problemas que nós soubemos contornar. Tivemos de correr riscos pelo resultado. Fizemos uma primeira parte boa e uma segunda ainda melhor. Marcámos quatro golos e saio satisfeito. Foi o que prometemos: estar no nosso melhor, frescos fisicamente e com mentalidade vencedora. Só assim é que podíamos vencer a equipa que considero ser a sensação do Campeonato”, explicou Lage.

Samaris e a nova vida de um grego que já agrada a troianos (a crónica do Moreirense-Benfica)

Sobre a saída de Fejsa da convocatória depois de ter sido titular frente ao Dínamo Zagreb e os problemas físicos demonstrados por Gabriel ao longo do jogo, o treinador defendeu que “são coisas pontuais que vão acontecendo”. “Temos de ter esse cuidado, mas é o preço do sucesso o facto de jogarmos de três em três dias. Mais importante de tudo foi a resposta, com uma frescura e qualidade enormes. Estou satisfeito por isso”, acrescentou Bruno Lage, que além de voltar a sublinhar a importância do treino naquilo que é o trabalho de preparação do Benfica reconheceu ainda que a equipa está “com uma dinâmica muito boa” que terá de continuar depois da paragem do próximo fim de semana para os compromissos das seleções.