Foi logo aos cinco minutos da receção do Nápoles à Udinese. No seguimento de um ataque perigoso da equipa visitante, o guarda-redes David Ospina lançou-se ao chão para tentar evitar que Pussetto rematasse à baliza e acabou por bater com a cabeça no joelho do extremo argentino. O guardião colombiano, titular da seleção que é agora orientada por Carlos Queiroz, foi prontamente assistido pela equipa médica do Nápoles e considerado apto para continuar em campo. 35 minutos depois e já após sofrer dois golos, Ospina acabou por colapsar no relvado e foi imediatamente transportado para o hospital mais próximo.

O guarda-redes de 30 anos, que chegou esta temporada ao Nápoles por empréstimo do Arsenal, passou a noite no hospital, onde vai permanecer sob observação até ao final desta segunda-feira, mas o clube italiano emitiu entretanto um comunicado onde indica que Ospina já foi submetido a uma TAC, cujo resultado foi “limpo”. Também Carlo Ancelotti, treinador do Nápoles, disse pouco depois do final do jogo que “felizmente não foi nenhum problema sério” e que o guarda-redes “esteve sempre consciente”.

O caso de David Ospina trouxe de volta um assunto há muito debatido nos meandros do futebol de alta competição. A Federação Internacional das Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro) e Taylor Twellman, um antigo jogador da MLS norte-americana que foi forçado a terminar a carreira depois de uma séria lesão cerebral, têm vindo a desenvolver campanhas de sensibilização para alertar a FIFA para a necessidade de criar regras específicas para as situações de possíveis concussões ou traumatismos cranianos. A FIFPro e o antigo avançado dos New England Revolution defendem mesmo a possibilidade de as equipas poderem introduzir substitutos temporários — para que a partida continue enquanto o jogador lesionado é avaliado por um médico independente e não por um médico de clube –, abrindo assim uma maior janela temporal que permita analisar com calma e sem pressa o estado do jogador em causa.

A FIFA, contudo, considera que a possibilidade de substitutos temporários poderia levar a abusos por parte de jogadores e treinadores e Michel d’Hooghe, presidente do Comité Médico do organismo que regula o futebol a nível mundial, defende ainda que é necessário “respeitar o facto de que o médico de cada clube tem responsabilidade exclusiva sobre os seus jogadores” e que a introdução de médicos neutros não seria a “situação ideal”. De acordo com o Telegraph, a eventual alteração das regras — que tinha o apoio dos médicos de todos os clubes da Premier League — acabou por não ser ponto de agenda na reunião anual da Associação de Futebol Internacional.

O episódio deste domingo com David Ospina acontece apenas dias depois de um outro que teve o português Anthony Lopes como protagonista. Na passada quarta-feira, durante a visita do Lyon a Camp Nou para a segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, o guarda-redes colidiu com Philippe Coutinho e perdeu a consciência. Depois de assistido pelos médicos do Lyon, permaneceu em campo durante 11 minutos até ser finalmente substituído. No final da partida, o treinador Bruno Genésio confessou que Anthony Lopes vomitou já no balneário e que terá mesmo sofrido uma breve perda de memória. O guarda-redes português acabou mesmo por não ser convocado para o jogo do Lyon este domingo, contra o Montpellier.