O diretor do Gabinete de Ligação de Pequim disse esta terça-feira que Macau é “nuclear” na Grande Baía, uma metrópole mundial que a China está a criar, mas avisou que o território tem de “saber agarrar a oportunidade histórica”.

Fu Ziying lembrou que este projeto parte de “uma estratégia nacional que abarca todo o povo chinês”, durante um encontro organizado pelo Governo de Macau para debater a Grande Baía, que envolve os territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província chinesa de Guangdong.

A Grande Baía é uma região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

O diretor do Gabinete de Ligação do Governo Central na Região Administrativa de Macau (RAEM) sublinhou ainda que esta é “uma oportunidade sem precedentes para as cidades envolvidas“, referindo-se também a Hong Kong e a Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing.

Fu frisou a importância de Macau “participar no desenvolvimento do país” e na oportunidade que este projeto representa ao nível da “circulação de pessoas e mercadorias”, assim como “na qualidade de vida da população”.

Já o chefe do Governo da RAEM, Fernando Chui Sai On, destacou o facto de Pequim “estar a dar relevância” ao território na criação desta metrópole mundial e sustentou que o seu “motor de desenvolvimento é composto por quatro cidades”: Macau, Hong Kong, Guangzhou e Shenzhen.

O “Encontro de Intercâmbio sobre as ‘Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong–Hong Kong-Macau’ e o Futuro de Macau” juntou, além de membros do Governo e de dirigentes da RAEM, académicos e especialistas, numa iniciativa organizada pela Direção dos Serviços de Estudo de Política e Desenvolvimento Regional.

A China quer acelerar a integração de Macau no país, através de medidas de aproximação às cidades vizinhas da província de Guangdong, ao mesmo tempo que pretende reforçar o papel de Macau como plataforma comercial com os países lusófonos.

Até 2035, 14 anos antes de terminar o período que prevê um alto grau de autonomia, ao abrigo da política “Um País, Dois Sistemas”, o Governo Central pretende integrar Macau através de políticas de educação, saúde, emprego, segurança social e facilidades de mobilidade fronteiriças.

Estas ambições constam no documento divulgado em fevereiro pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) e pelo Conselho de Estado (Executivo), intitulado de “Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

O documento estipula que, até 2022, a Grande Baía deverá converter num ‘cluster’ de classe mundial e, até 2035, numa área de excelência a nível internacional.