O primeiro relatório da Google sobre o combate às notícias falsas mostra que Portugal está entre os 10 países da União Europeia com mais contas banidas por divulgarem informação propositadamente enganadora. De acordo com o Diário de Notícias, em janeiro de 2019 a Google bloqueou 244 contas em Portugal ou limitou a sua rentabilidade, impedindo-as de beneficiar do serviço de anúncios Google AdSense.

Apesar de estar no top 10 europeu, os valores registados em Portugal estão significativamente abaixo dos números de outros países: o Reino Unido teve 16 mil contas bloqueadas; a Estónia ficou em segundo lugar, com 12 mil; enquanto 8 mil contas foram banidas na Roménia. No total, 48 mil contas foram suspensas na União Europeia.

Observador em plataforma para combater fake news nas eleições europeias

O relatório é parte do esforço conjunto de combate às notícias falsas acordado entre grupos tecnológicos, como a Google e o Facebook, e a União Europeia. As empresas entregam agora documentos regulares a explicar os seus esforços na preparação e defesa das eleições europeias de maio de 2019.

A chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia, Tina Zournatzi, tinha admitido, a 21 de fevereiro, que “esperava mais” dos primeiros relatórios das plataformas que aderiram ao código de conduta contra a desinformação. “Não ficámos particularmente entusiasmados com os relatórios”, afirmou Tina Zournatzi, que intervinha em Lisboa na conferência “Combate às ‘fake news’ — uma questão democrática”, organizada pelas agências de notícias Lusa e EFE, de Espanha.

Fake News. Bruxelas “esperava mais” dos primeiros relatórios da indústria

A especialista grega salientou que o código de conduta que a Comissão Europeia pôs em prática para combater a desinformação foi assinado por algumas empresas de publicidade, bem como pelo Facebook, Google, Mozilla e Twitter. “Esta é a primeira vez, globalmente, que a indústria consente de forma voluntária criar estes critérios de autorregulação para combater a desinformação”, referiu.

O código de conduta da Comissão Europeia pretende aumentar a deteção, análise e exposição da desinformação, mobilizar o setor privado para atacar este fenómeno, uma cooperação e respostas mais fortes contra as ‘fake news’, e ainda aumentar a consciência e a resiliência social. Referindo que a União Europeia (UE) “não tem estado imune” à desinformação, Zournatzi disse que a instituição tem vindo a ser “há vários anos uma vítima” do que apelidou de “euromitos”.