O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse esta terça-feira, na Casa Branca, em Washington, que acredita na reeleição de Donald Trump como Presidente norte-americano, nas eleições de 2020, face ao descontentamento com a “realidade do socialismo”. Já o Presidente dos Estados Unidos da América manifestou desejo em ter o Brasil como um aliado dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

“É um assunto interno, respeitaremos o resultado das urnas, mas eu acredito piamente na vitória de Donald Trump”, disse o chefe de Estado brasileiro, ao ser questionado pelos jornalistas, após um encontro com Donald Trump, na Casa Branca, sobre a sua reação caso um candidato do Partido Democrata, com posições socialistas, vença a disputa eleitoral norte-americana.

“Mais e mais pessoas estão a abrir os olhos para a realidade do socialismo. Todo o ‘mundo’ vai repetir o voto nele [em Trump]”, acrescentou, na mesma conferência de imprensa, realizada em conjunto com Donald Trump, no âmbito da visita que está a realizar, desde domingo, aos Estados Unidos.

O chefe de Estado brasileiro também declarou que sempre foi um grande admirador dos Estados Unidos, frisando que este seu sentimento aumentou com a chegada de Trump à Casa Branca.

“Sempre fui um grande admirador dos Estados Unidos e esta admiração aumentou com a chegada a de vossa Excelência à Presidência. Este nosso encontro retoma uma antiga relação de parceria e ao mesmo tempo abre um capitulo inédito na relação do Brasil com os Estados Unidos”, exaltou Bolsonaro, referindo-se a Trump.

“Esta é a hora de superar velhas resistências e explorar todo o vasto potencial que existe entre o Brasil e os Estados Unidos. Afinal, hoje, o Brasil tem um Presidente que não é antiamericano, um caso inédito nas últimas décadas”, acrescentou.

Bolsonaro mencionou o apoio que recebeu de Trump para a entrada do Brasil na Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) e a reforço da cooperação militar na busca de tecnologia entre Brasil e Estados Unidos.

O chefe de Estado brasileiro também revelou ter proposto a reativação de um fórum de empresários do Brasil e dos Estados Unidos e a criação de outro fórum sobre inovação.

Donald Trump quer Brasil como aliado da NATO

Na conferência de imprensa conjunta com o Presidente brasileiro, Donald Trump, anunciou que quer contar com o Brasil como um aliado dentro da NATO. “Tenho a intenção de designar o Brasil como um aliado especial fora da NATO e até mesmo como um aliado dentro da NATO. Isso poderia melhorar a nossa cooperação. As nossas nações estão a trabalhar juntas para proteger o povo do terrorismo do crime transnacional e do tráfico de drogas, armas e pessoas, algo que é prioridade”, disse o presidente norte-americano.

O Brasil poderá assim tornar-se no segundo país da América Latina, depois da Argentina, e apenas o décimo oitavo país do mundo a obter o estatuto especial de aliado militar estratégico dos EUA fora da NATO.

Ao longo de toda a conferência de imprensa, Trump elogiou o percurso de Bolsonaro, tanto durante a campanha eleitoral como já no cargo de Presidente, declarando que os dois países têm “valores em comum”, como a importância da “família”, e a “fé no país”.

Donald Trump lembrou que os EUA foram o primeiro país a apoiar a independência do Brasil e que na segunda guerra mundial aquele país apoiou os EUA no conflito, acrescentando que os dois chefes de Estado pensam “de forma muito parecida”, referindo o apoio brasileiro ao povo venezuelano.

“Conversámos muito sobre as nossas prioridades mútuas. O Brasil tem sido um líder extraordinário para ajudar o povo da Venezuela. Em conjunto com os EUA, o Brasil foi um dos primeiros a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino”, lembrou.

“Expresso a minha gratidão profunda ao Presidente Bolsonaro pelo Brasil ter permitido a passagem de ajuda humanitária para os venezuelanos pelo território brasileiro”, declarou Trump, na Casa Branca.

O governante dos EUA manifestou-se também acerca do acordo, firmado nesta segunda-feira, que permite aos Estados Unidos da América o lançamento de satélites a partir da base de Alcântara, no Estado brasileiro do Maranhão.

“Depois de 20 anos de conversações, finalmente terminamos o acordo para lançamento de satélites. (…) Com esta medida vamos economizar muito dinheiro”, frisou Trump.

Bolsonaro está em visita oficial aos Estados Unidos desde o passado domingo e deverá regressar ao Brasil ainda esta terça-feira.

O encontro entre os dois Presidentes é considerado um primeiro passo para uma reconfiguração das relações entre Washington e Brasília.

Jair Bolsonaro admitiu que escolheu os Estados Unidos como o primeiro destino para uma visita oficial desde que assumiu a Presidência do Brasil, em 1 de janeiro, para deixar claro o desejo do seu Governo de se aproximar e alinhar-se as políticas de Donald Trump, de quem afirma ser um confesso admirador.