Rádio Observador

Economia

Magnata russo derrota plano da administração para salvar a Dia, dona do Minipreço

O magnata Mikhail Fridman saiu vencedor da decisiva assembleia-geral de acionistas, derrotando o plano da administração em funções para retirar a DIA da insolvência. Alternativa é o seu próprio plano.

AFP/Getty Images

O magnata russo Mikhail Fridman saiu vencedor da decisiva assembleia-geral de acionistas, derrotando o plano da administração em funções para retirar a DIA da insolvência. A empresa espanhola, dona do Minipreço em Portugal, vive tempos muito difíceis — fechou o ano com capitais próprios negativos de quase 100 milhões de euros, ou seja, em falência técnica — e gerou-se uma guerra acionista que coloca um enorme ponto de interrogação sobre o futuro.

Segundo a imprensa económica espanhola, Fridman fez-se valer dos 29,5% do capital que são detidos pelo seu fundo luxemburguês, o LetterOne, e foi decisivo para rejeitar o plano de recuperação proposto pelo conselho de administração liderado por Borja de la Cierva. Esse plano passava por um aumento de capital de 600 milhões de euros, que obrigaria a um esforço grande por parte dos acionistas existentes para evitarem sofrer uma diluição das suas participações.

Nem Fridman se mostrou disponível para aceitar esse aumento de capital nem vários outros acionistas. No final, numa assembleia-geral de acionistas que contou com a participação de quase 2.500 acionistas, titulares de 54,3% do capital, a proposta da administração foi rejeitada e, paralelamente, o plano de resgate proposto pelo magnata russo foi aprovado. Não se sabia se os 29,5% do LetterOne seriam suficientes para garantir a aprovação desse plano, porque nas últimas assembleias-gerais a participação rondou os 60% do capital. Mas como o capital representado não ultrapassou os 55%, o magnata russo saiu vitorioso.

O plano do LetterOne também passa por um aumento de capital, de 500 milhões de euros, mas essa é uma transação que está dependente do sucesso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) que Fridman lançou sobre a DIA, para comprar o capital que ainda não lhe pertence. O russo oferece 67 cêntimos por ação.

Fonte: Google Finance

Além desta condição, o plano de Fridman também implica que os bancos credores da empresa aceitem dar uma moratória até 2023 para o pagamento das dívidas, ou seja, permitir que a empresa fique quatro anos sem ser obrigada a fazer quaisquer amortizações da dívida que tem aos bancos. E não é coisa pouca: a empresa tem uma dívida na ordem dos 700 milhões de euros.

A alternativa, que ainda não está afastada, pode ser um pedido de insolvência. A empresa tem, nesta fase, cerca de dois meses para evitar esse cenário: se não houver acordo com os bancos até finais de maio, Fridman ameaça fazer todo o plano cair por terra.

A proposta perdedora era apoiada, entre outros, pelo investidor português Luís Amaral, que controla a polaca Eurocash e que detém a posição no grupo Dia através da empresa Western Gate, com 2%. Luís Amaral é acionista do Observador.

O grupo DIA, que celebra o seu 40.º aniversário este ano, tem atualmente uma rede de mais de 6.100 lojas e mais de 43.000 trabalhadores espalhados por Espanha, Portugal (Minipreço), Brasil e Argentina. As vendas do grupo têm vindo a cair nos últimos três anos – passou de 9.000 milhões de euros em 2015 para 7.288 milhões em 2018, 18% a menos -, devido, entre outros fatores, ao aumento da concorrência em Espanha, onde passou da segunda para a terceira posição em termos de quota de mercado.

O lucro também registou uma tendência de queda nos últimos anos até registar 352 milhões de euros de perdas no ano passado. Cada ação da empresa era comprada há um ano a 3,5 euros, quase seis vezes mais do que o preço atual. A cotação evoluiu para baixo durante a maior parte de 2018, mas o “colapso” ocorreu em outubro último (num só dia perdeu 42%), quando foi anunciado o agravamento das previsões para o ano passado e adotados uma série de ajustes para o exercício de 2017.

O colapso sofrido fez com que a empresa fosse excluída do mercado bolsista de Madrid IBEX 35 no final de dezembro de 2018.

Em Portugal a empresa tinha no final do ano passado 223 estabelecimentos próprios e 309 franchisados com as marcas Minipreço, Mais Perto e Clarel.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)