Rádio Observador

Nações Unidas

ONU endurece críticas perante agravamento de sanções norte-americanas à Venezuela

321

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos reforçou as críticas à aplicação de sanções à Venezuela pelos Estados Unidos e defende tais medidas irão agravar a crise que afeta o país.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos irá publicar em junho um relatório sobre a situação na Venezuela

SALVATORE DI NOLFI/EPA

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos reforçou esta quarta-feira as críticas à aplicação de sanções à Venezuela, visando particularmente os Estados Unidos, defendendo que tais medidas irão agravar a crise que afeta aquele país. As críticas da chilena Michelle Bachelet surgem um dia depois de Washington, através do Departamento do Tesouro norte-americano (equivalente ao Ministério das Finanças), ter anunciado novas sanções à empresa estatal de mineração venezuelana Minerven, que opera no setor do ouro, e ao respetivo presidente, Adrián Antonio Perdomo.

“A amplitude e a gravidade das crises nas áreas da alimentação, saúde e dos serviços básicos não foram plenamente reconhecidas pelas autoridades (venezuelanas), e como tal as medidas adotadas foram insuficientes”, afirmou Bachelet, numa intervenção no Conselho de Direitos Humanos da ONU. A representante prosseguiu com as críticas e apontou palavras mais duras à estratégia norte-americana em relação à Venezuela.

“Embora esta crise social e económica devastadora tenha começado antes da imposição das primeiras sanções económicas em 2017, preocupa-me que as recentes sanções sobre as transferências financeiras relacionadas com a venda de petróleo venezuelano aos Estados Unidos possam contribuir para agravar a crise económica, com possíveis repercussões sobre os direitos fundamentais das pessoas e do seu bem-estar”, afirmou a antiga Presidente do Chile. No início de março, Michelle Bachelet, que foi nomeada em agosto de 2018 como Alta Comissária, já tinha criticado as sanções internacionais contra a Venezuela, mas, na altura, não mencionou nenhum país.

Os Estados Unidos e cerca de 50 países da comunidade internacional, incluindo Portugal, reconheceram o opositor e presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela, negando a legitimidade do governo liderado pelo Presidente Nicolás Maduro. Na Venezuela, a confrontação entre as duas fações tem tido repercussões políticas, económicas e humanitárias.

Para aumentar a pressão sobre Maduro, Washington tem aplicado sanções económicas e decretou um embargo sobre o petróleo, uma exportação crucial para a economia venezuelana, que irá entrar em vigor a 28 de abril.

Na mesma intervenção, Bachelet apelou a uma “solução política” na Venezuela e fez um pedido direto ao governo de Maduro: garantir que a missão técnica do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que se encontra atualmente naquele país tenha acesso total aos lugares e às pessoas, sem qualquer tipo de represálias, nomeadamente contra as pessoas contactadas.

“Uma equipa técnica encontra-se atualmente no país e considero que esta é uma primeira medida positiva”, referiu a responsável, sem adiantar pormenores sobre as pessoas que estão a ser contactadas pela missão. A missão técnica está na Venezuela para avaliar uma possível visita de Bachelet, respondendo a um convite do governo de Maduro, mas o organismo quer garantir que terá acesso livre a elementos da oposição venezuelana e a dissidentes. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos irá publicar em junho um relatório sobre a situação na Venezuela.

Bachelet informou também que o organismo continua a investigar as denúncias de execuções extrajudiciais na Venezuela, com pelo menos 205 mortes atribuídas às forças especiais venezuelanas em 2018 e outras 37 durante os protestos de janeiro último em Caracas, coincidindo com a autoproclamação de Juan Guaidó como Presidente interino.

“No contexto da última vaga de manifestações antigovernamentais (…) durante os dois primeiros meses deste ano, o Alto Comissariado documentou numerosas violações dos direitos humanos e abusos cometidos pelas forças de segurança e por grupos armados pró-governo”, referiu a representante, mencionando “um recurso excessivo de força, assassínios, detenções arbitrárias e uso de técnicas de tortura”. A Alta Comissária manifestou ainda preocupação face “ao aumento das restrições da liberdade de expressão e de imprensa” na Venezuela.

O embaixador da Venezuela junto do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Jorge Valero, declarou que o país reconhece o “direito de manifestação”, mas argumentou que os recentes protestos foram “atos de vandalismo e criminosos (…) promovidos por um setor violento da oposição financiada pelo exterior”.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes. Os mais recentes dados das Nações Unidas estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões. Só no ano passado, em média, cerca de 5.000 pessoas terão deixado diariamente a Venezuela para procurar proteção ou melhores condições de vida.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)