A menos de um mês da estreia da última temporada de “Guerra dos Tronos”, agendada para o dia 14 de abril, Emilia Clarke confessa que sofreu dois aneurismas enquanto filmava a série que a lançou. Num longo texto publicado esta quinta-feira na revista The New Yorker, a atriz que interpreta a personagem Daenerys Targaryen fala pela primeira vez no frágil estado de saúde com que participou em algumas das gravações.

O primeiro aneurisma, conta Emilia Clarke, aconteceu pouco depois do fim das filmagens da primeira temporada. Ainda o primeiro episódio da série não tinha estreado quando, em fevereiro de 2011, a atriz sentiu-se mal. Estava a treinar com o personal trainer quando uma forte dor de cabeça e vómitos violentos a levaram para o hospital.

Um nevoeiro de inconsciência tomou conta de mim. De uma ambulância fui levada numa maca para um corredor impregnado do cheiro a desinfetante e de barulhos de pessoas aflitas. Porque ninguém sabia o que se passava comigo, os médicos e as enfermeiras não me deram quaisquer drogas para aliviar a dor”, conta num relato pessoal e intimista.

A atriz viria a ser diagnosticada com hemorragia subaracnóidea, “um tipo de acidente vascular cerebral causado pela hemorragia no espaço ao redor do cérebro”, escreve. “Eu tive um aneurisma, uma rutura arterial.” A recuperação demorou e a atriz sofreu de afasia durante uma semana — condição em que há dificuldade na expressão de palavras — devido ao trauma que o seu cérebro teve de aguentar. “Nos piores momentos quis desistir de tudo”, admite. “Pedi aos médicos para me deixarem morrer.”

O estado de saúde da atriz durante as filmagens da segunda temporada era ainda delicado — “Depois do meu primeiro dia de filmagens, mal consegui chegar ao hotel antes de colapsar de exaustão”. Mas seria em 2013 que Clarke apanharia outro susto, depois de mais um exame de rotina que revelou ser necessária uma segunda operação. Prometeram-lhe um procedimento mais simples do que o da última vez, mas a atriz haveria de acordar a gritar de dor. “O procedimento tinha falhado. Eu tinha uma enorme hemorragia e os médios deixaram claro que as minhas hipóteses de sobrevivência eram precárias se não operassem mais uma vez.”

Pedaços do meu crânio foram substituídos por titânio. Hoje não dá para ver a cicatriz que vai do meu couro cabeludo até ao ouvido, mas na altura eu não sabia que não ia ser visível. Acima de tudo, havia a preocupação constante com perdas cognitivas ou sensoriais.

A recuperação, mais uma vez, não foi fácil. E à ansiedade somaram-se ataques de pânico. Semanas depois da segunda cirurgia, a atriz fez questão de marcar presença na Comic-Con, em San Diego. Não queria desapontar os fãs, apesar das fortes dores de cabeça. Depois de enfrentar as milhares de pessoas na audiência, a sua assessora pediu-lhe para falar com um jornalista da MTV que estava à sua espera para uma entrevista. “Pensei, se vou morrer, que seja na televisão. “Mas sobrevivi. Sobrevivi à MTV e a muito mais”, conclui a atriz que agora diz estar 100% recuperada.