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Retração no comércio de livros e na leitura é “muito preocupante”, diz editor

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O editor Zeferino Coelho afirmou que Portugal atravessa um período "muito difícil e conturbado" no que toca à difusão da literatura e justifica a diminuição da leitura pelos "baixos rendimentos".

O editor Zeferino Coelho vai estar presente na feira do livro de Leipzig, que começa esta quinta-feira e termina no próximo sábado

HENDRIK SCHMIDT/EPA

O editor Zeferino Coelho, que participa na Feira do Livro de Leipzig, que começa esta quinta-feira, sublinha que a “retração no comércio de livros e na leitura” em Portugal é “muito preocupante”, não tendo solução “a curto prazo”.

Em declarações à agência Lusa, Zeferino Coelho, que assinala este ano 50 anos de carreira, revela que Portugal atravessa um período “muito difícil e conturbado” no que à difusão da literatura diz respeito.

A solução básica é libertarmo-nos deste aperto financeiro em que estamos, porque as pessoas continuam com muito baixos rendimentos. É preciso ter dinheiro para comprar livros, é preciso termos a sensação de que temos dinheiro. Quanto temos essa sensação, vamos sempre um pouco mais longe nos nossos gastos e os livros fazem parte disso”, defendeu o editor da Caminho há 42 anos.

Revela, ainda assim, que nos últimos dez a 15 anos, tem havido “uma grande renovação com o aparecimento de novos e bons autores”, com uma “nova geração” que está a ocupar o espaço de uma geração antiga que vai desaparecendo.

Zeferino Coelho vai estar na Feira do Livro de Leipzig, que começa esta quinta-feira e termina no próximo sábado (24 de março), para uma conversa entre editores onde se discutirão as diferenças do trabalho de edição na Alemanha, Suíça, Moçambique e Portugal.

“A Alemanha é um país que tem uma população leitora muitíssimo grande, culta e com dinheiro. Isto, de certa maneira, facilita. Há coisas que são possíveis na Alemanha, por exemplo, publicar uma maior quantidade de livros de pequena tiragem, que num país como Portugal é muito mais difícil e que, num país ainda mais pobre, é ainda mais difícil”, explicou o editor, que vai pela primeira vez a esta feira.

“Nunca fui à feira de Leipzig. Frequentei, durante quase 40 anos, a Feira de Frankfurt, mas esta [de Leipzig] é a primeira vez. Já passei por lá em turismo, mas é de facto uma cidade com tradições literárias e editorais grandíssimas e fortíssimas, e sobretudo é uma feira do livro para alemães. Vou com muito interesse e cheio de curiosidade”, destacou.

Zeferino Coelho começou a sua carreira como editor logo depois de terminar o curso, na Universidade do Porto, e confessa que, 50 anos depois, não esperava continuar a desempenhar essa profissão.

Houve muitos altos e baixos, sobretudo altos. Trabalhei sempre como editor, é a minha profissão, nunca tive outra. Há momentos importantes que recordo. Aquele que me vem imediatamente à cabeça é quando José Saramago, escritor que eu publicava, ganhou o prémio Nobel. Esse foi um momento especial”, lembra.

Admite, entre risos, que o trabalho de editor “não é muito importante, mas exige uma certa genica, uma certa resiliência e um grande esforço de imaginação“.

“Para eu deixar de ser editor, tenho de tomar uma iniciativa. Os corpos estão em movimento e é difícil fazê-los para quando estão em movimento, é o que se passa comigo. Para deixar de ser editor, tenho de fazer uns quantos telefonemas a algumas pessoas, e não é fácil. Por isso cá vou andando e ficando”, conta.

Portugal participa, pela quarta vez consecutiva, na Feira do Livro de Leipzig, na Alemanha, com um programa de leituras, iniciado na quarta-feira, no qual colaboram, entre outros, os escritores Afonso Cruz, Ana Margarida de Carvalho, Joana Bértholo e Valério Romão.

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