Cinema

Três filmes para ver esta semana

O novo filme de terror do realizador de "Foge", uma comédia "feel good" com Jennifer Aniston e "Uma Nação, Um Rei", sobre a Revolução Francesa, são as escolhas desta semana de Eurico de Barros

"Nós": Jodan Peele permanece no território do filme de terror depois de "Foge"

Claudette Barius

Autor
  • Eurico de Barros

“Nós”

Depois do tremendo sucesso do sobrevalorizadíssimo “Foge”, Jordan Peele permanece no território do horror, indo inspirar-se a um episódio de “A Quinta Dimensão”, a série de Rod Serling, para rodar este “Nós”, onde uma família negra afluente é aterrorizada pela aparição dos seus “duplos”, armados com tesouras, no que se revela depois ser uma invasão em larga escala. “Nós” é tanto uma fita de terror que glosa o tema clássico do sósia maligno que aparece para nos “roubar” a vida e tomar o nosso lugar, ecoando filmes como “Invasion of the Body Snatchers”, de Don Siegel, como uma alegoria sobre os EUA de Donald Trump (os “duplos” usam macacões vermelhos — uma referência óbvia aos americanos dos “red states”, que votam no Partido Republicano e nos seus candidatos presidenciais –, e vivem de forma tosca num mundo subterrâneo de onde emergem para se vingar dos mais ricos, perfeitos e felizes do que eles). Carga política à parte, “Nós” resultaria melhor como um episódio de meia hora da referida “Quinta Dimensão” ou uma compacta série B. Só que Peele estica demasiado a história, dispersa-se, desdobra-se em explicações quando devia deixar tudo nas meias-tintas da sugestão e não resiste ao batido “twist” final, qual émulo de M. Night Shyamalan. Lupita Nyong’o é ótima na mãe de família e na sua “dupla” de voz cavernosa.

“Miss XL”

Feita originalmente para a Netflix, esta comédia no feminino realizada por Anne Fletcher (“A Proposta”, “Perseguição Escaldante”), tem Jennifer Aniston no papel de Rosie Dixon, uma quarentona que foi rainha de beleza no Texas na adolescência e continua fervorosamente ligada aos concursos do género; e a australiana Danielle Macdonald a fazer de sua filha, Willowdean, uma adolescente que sai à tia em vez de à mãe. Para fazer pirraça a esta e protestar contra os estereótipos das competições de beleza para adolescentes, Willowdean e mais duas eaparigas, uma cheiinha como ela e outra que veste sempre de preto e se dá ares de rebelde, decidem inscrever-se no concurso de Miss Teen Bluebonnet que Rosie está a organizar e coordenar, onde participa também Ellen, a sua bonita e elegante melhor amiga. Feito sob a inspiração das canções de Dolly Parton, artista que Willowdean venera, e longe de ser contestatário e “feminista” como poderia parecer à primeira vista, “Miss XL” é um filme “feel good” de ambiente texano: castiço, bem-disposto e positivo. Não faz mal a uma mosca, não pretende senão entreter, e uma vez visto, descarta-se como um lenço de papel.

“Uma Nação, Um Rei”

Em “Uma Nação, um Rei”, realizado por Pierre Schoeller, regressamos de novo ao conceito do grande fresco cinematográfico sobre a Revolução Francesa, o que já não acontecia desde 1989, quando foi feita a superprodução europeia “A Revolução Francesa”, de Robert Enrico e Richard T. Heffron. Desta vez, a ênfase é posta no ponto de vista da arraia miúda, o “petit peuple”, representada pela família e pelos próximos de um vidreiro (Olivier Gourmet) cuja casa está situada perto da Bastilha. Do outro lado estão o rei Luís XVI (Laurent Laffite) e vários dos protagonistas principais da revolução, de Robespierre (Louis Garrel) a Danton (Dominique Lavant), e muito, muito povo anónimo a circular pelo meio. A história é balizada pela tomada da Bastilha e pela execução do rei Luís XVI, mas omite os muitos desmandos e atrocidades cometidos durante a revolução, diluindo o sangrento período do Terror no grande caldo da agitação popular e do debate político. “Uma Nação, Um Rei”, foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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