Seleção Nacional

Fernando Santos e o “espírito abalado”, a promessa de Dyego Sousa e uma entrada em falso que tem 31 anos

Há 31 anos que Portugal não vence no arranque de um apuramento a jogar em casa. Fernando Santos falou em "espírito abalado" e Dyego Sousa, que se estreou pela seleção, promete "garra e determinação".

O avançado do Sp. Braga estreou-se com a camisola da Seleção Nacional

EPA

Os portugueses já se habituaram a esta quase inevitabilidade de não ter um apuramento para um Europeu ou para um Mundial que seja tranquilo, sem grandes preocupações ou inquietações. Mesmo a qualificação para o Mundial da Rússia, onde Portugal acabou por garantir a presença na fase final de forma direta e ao vencer o grupo em que estava inserido, só foi confirmada no derradeiro jogo contra a Suíça, já que a Seleção havia perdido a partida inicial com os helvéticos. O empate sem golos desta sexta-feira com a Ucrânia, além de ser o terceiro empate consecutivo da seleção portuguesa em jogos oficiais, é também o terceiro jogo de arranque de um apuramento que Portugal não vence (depois da Suíça no Mundial e da Albânia no Euro 2016). Escorregadela habitual, portanto, num jogo onde a Seleção Nacional foi claramente superior mas nunca conseguiu ser asfixiante.

Na verdade, há 31 anos que Portugal não vence no arranque de uma qualificação a jogar em casa. Ainda assim, nem sempre uma vitória inicial é bom augúrio: a Seleção Nacional venceu o Luxemburgo no apuramento para o Mundial 1990 e acabou por falhar a fase final em Itália, enquanto que não conseguiu vencer o primeiro jogo da qualificação para os Europeus 2012 e 2016 mas esteve presente nas edições da Polónia e Ucrânia e de França, acabando por se sagrar campeão europeu nesta última.

Fernando Santos, que na segunda parte trocou o sistema tático de 4x3x3 para 4x4x2, colocando Cristiano Ronaldo primeiro ao lado de André Silva e depois a fazer dupla com o avançado do Sp. Braga, chegou aos 60 jogos com a Seleção Nacional e é já o terceiro selecionador nacional com mais de 40 jogos com a percentagem de empates mais elevada (só atrás de Scolari e Queiroz). Na antevisão, Fernando Santos havia dito que seria uma “desilusão” se Portugal não ganhasse à Ucrânia e não escondeu o natural favoritismo da atual detentora do título contra uma seleção que ficou pela fase de grupos no Euro 2016 e nem sequer esteve o Mundial da Rússia. No final do jogo, face à ausência da vitória, o selecionador confirmou que o empate “deixa sempre o espírito um pouco abalado”.

“A equipa esteve globalmente bem, não ganhou e por isso não está tudo bem, mas a equipa teve bons momentos, outros com mais dificuldade. Faltou-nos concretizar as três ou quatro ocasiões na primeira parte, altura em que o adversário não criou qualquer perigo. Faltou um pouco mais de jogo interior. Mas os jogadores tentaram, criaram situações. Durante o jogo fomos alterando, dando largura depois com o Rafa e o Dyego Sousa. Tentámos por vários lados e até arriscámos quase tudo, pondo-nos ao perigo. Mas foi injusto, Portugal merecia ganhar”, acrescentou Fernando Santos, que sublinhou ainda que a seleção pecou nas situações individuais e que a Ucrânia estudou bem a estratégia da equipa portuguesa, colocando muitos homens na faixa central.

Já Dyego Sousa, que entrou já na segunda parte para substituir André Silva e registou a primeira internacionalização pela Seleção Nacional, mostrou-se “muito feliz” pela estreia mas “triste pelo resultado”. “É um sonho tornado realidade. Já esperava por isso há muito tempo. Agora é descansar e continuar a trabalhar porque temos outro jogo muito importante na próxima segunda feira, temos que sair com a vitória. Jogar pela seleção portuguesa sempre foi o meu objetivo desde que cheguei a Portugal. Desde o Leixões, Portimonense, Tondela, Marítimo e agora Sp. Braga. Sempre quis chegar à Seleção e hoje estou aqui. Quero agradecer o carinho do povo português. Não vai faltar garra e determinação dentro de campo”, garantiu o avançado, que se tornou assim o sétimo brasileiro naturalizado português a jogar por Portugal.

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